![]() |
|
![]() |
|
O
que é o "Nervo facial" ?
O nervo
facial é um dos 12 nervos cranianos, sétimo par, que se origina no tronco
cerebral com um ramo indo para cada lado. Ele tem aproximadamente 13,000
neurônios, sendo que cerca de 7,000 servem como unidades motoras para a
face. Ele é protegido por um canal ósseo que caminha mais ou menos por baixo
da orelha.
O nervo facial é muito pequeno. Quando sai do canal auditivo interno ele
tem menos de um milímetro de diâmetro. A boa noticia é que existem milhares
de fibras nervosas nessa minúscula estrutura, como num cabo telefônico,
e essas fibras são muito resistentes a danos.
O nervo facial parece um cabo telefônico que contém 7000 fibras individuais
dentro dele.
Cada fibra carrega impulsos elétricos para um músculo específico da face. Nós temos 2 nervos faciais um para cada lado do rosto que funcionam independentemente um do outro. As informações que passam através das fibras deste nervo permite que expressemos nosso sorriso, choro, risada, e tristeza, por isso este nervo leva o nome de "nervo da expressão facial". Quando estas fibras nervosas estiverem parcial ou totalmente interrompidas ocorre uma diminuição ou paralisia total nos músculos da face.
Quando
estas fibras estiverem irritadas podem aparecer espasmos ou movimentos involuntários
na face (popularmente conhecidos como "tiques" nervosos). O nervo
facial não só carrega impulsos para os músculos da face, mas também para
outros locais como glândulas lacrimais e salivares e ao músculo do estribo
(pequeno osso que existe dentro do ouvido) . Ele também transmite o sabor
sentido na parte da frente da língua. Uma vez que a função do nervo facial
é tão complicada, muitos sintomas podem ocorrer quando as fibras do nervo
facial estiverem com problemas. Além da paralisia da face, que prejudica
o fechamento do olho e o movimento da boca e o enrugamento da testa a pessoa
poderá apresentar secura nos olhos e na boca e alterações no paladar (gosto
diferente na boca).
Como ele funciona ?
O nervo facial é como um "fio" que sai do cérebro e entra
no ouvido juntamente com o nervo da audição e do equilíbrio. Ele atravessa
o ouvido passando dentro de um canal ósseo, muito próximo de estruturas
como os ossinhos do ouvido, do labirinto e do tímpano. Depois disso ele
sai no pescoço e se ramifica na face passando dentro da glândula salivar
chamada parótida. Ramos dele inervam a glândula lacrimal e a língua.
Quando vou melhorar ?
O tempo de retorno é variável conforme a causa e tipo da lesão. O seu médico
não vai poder responder a esta pergunta na primeira consulta mas se você
seguir estritamente as orientações do médico especialista na grande maioria
das vezes você terá um retorno à normalidade em um tempo rápido.
Nunca espere muito tempo para procurar o tratamento pois quanto mais cedo
voce fizer melhor será sua recuperação.
Quais são os cuidados necessários
para o rosto ?
Quando o nervo facial está paralisado uma atenção especial deve ser tomada
com relação ao olhos. Como normalmente o olho está seco ou o movimento da
pálpebra está diminuído você deve usar um colírio apropriado para prevenir
a formação de úlcera de córnea e cegueira. Seu médico vai indicar. A noite
deve ser usada uma pomada oftalmológica e o olho deve ser ocluído.
As vezes seu médico vai lhe indicar reabilatação (fisioterapia). Este tratamento
tem que ser muito bem feito e sob orientação de seu médico. Nunca faça fisioterapia
tipo "choque" elétrico no rosto e nem procure fisioterapia antes
de ver o médico especialista (otorrinolaringologista).
O que é paralisia facial ?
A paralisia facial é o acometimento total ou parcial dos músculos de uma hemiface. Tem etiologias, características, formas de aparecimento e tempo de recuperação completamente diferentes.
Geralmente unilateral, paralisia facial é uma ausência, ou diminuição importante, dos movimentos faciais, causada por uma lesão do nervo facial. Este é o nervo do corpo mais freqüentemente paralisado, e também o mais visível.
Alguns dos sintomas iniciais podem incluir sensação de dormência ou fraqueza, sensação de pressão ou inchaço do lado afetado, mudanças no paladar, intolerância a barulhos, olho ressecado e algumas vezes dor ao redor, ou no próprio, ouvido. Algumas das causas da paralisia facial são:
Trauma - acidentes, batidas no lado da cabeça ou face.
Tumores - tanto benigno (neuroma acústico) quanto maligno (tumor cerebral)
Congênito - presente ao nascimento
Infeccioso - Paralisia de Bell, Sindrome de Ramsay Hunt (Herpes Zoster)
Neste caso estamos tratando especificamente de paralisia facial tumoral que acontece como conseqüência de uma agressão (lesão ou manipulação) do nervo facial no seu trajeto intra ou extracraniano, em diferentes níveis, nas cirurgias de extirpação de tumores entre outras.
O nervo
facial e seus ramos são responsáveis pôr suprir impulsos nervosos para aproximadamente
80 músculos faciais organizados em quatro camadas que controlam os movimentos
faciais. Os aspectos mais importantes a ser considerados em relação aos
movimentos faciais seriam a espontaneidade de movimentos e a simetria.
Testes podem ser utilizados para auxiliar o diagnóstico e o tratamento do
paciente. Esses testes podem incluir eletroneurografia (ENOG), audiometria,
tomografia computadorizada, ressonância magnética com contraste e ainda
exames de sangue para verificar se a causa está ligada a varicela zoster
ou herpes simples.
Em alguns casos, cirurgia para descomprimir o nervo ou fazer um enxerto
com outro nervo do corpo pode ser indicada.
Para o paciente as queixas principais estão relacionadas à dificuldade em
fechar os olhos e impossibilidade de sorrir. Outros sintomas referidos comumente
incluem diminuição ou alteração no sabor, vertigem, pequenas feridas ao
redor da orelha, dor ou desconforto, sinusite, dor de cabeça, amortecimento
da língua, sensibilidade a barulho, ressecamento de olho, lagrimas em excesso,
e dificuldade para mastigar.
Os cuidados prestados à pessoa acometida pela paralisia facial são dados
através de diferentes formas de tratamento:
Clínico: Avaliação médica, exames e medicamentos.
Cirúrgico: (Intervenção cirúrgica) quando necessário será indicada pelo médico.
Fisioterápico: A reeducação das faces paralisadas é importante em todas as etapas da paralisia facial. Nos casos pós cirurgicos como a descompressão do nervo, retirada de tumores, enxertos autógenos do nervo ou anastomose hipoglosso-facial, a fisisoterapia deve começar o mais precocemente possível, depois do paciente ter tido alta do médico cirúrgião.
A fisioterapia prepara os músculos para a possível reinervação não deixando que aconteça a estase muscular (atrofia), estimula a vascularização periférica que ajuda nas trocas de nutrientes e orienta através de exercícios a recuperação dos movimentos da face.
Se realizada corretamente, previne a instalação de sequelas (hipertonias e sincinesias) que atrapalham muito os movimentos harmoniosos da face do paciente.
A reinervação acontece muito lentamente. O tempo de recuperação do indivíduo varia de 1 a 4 anos. Segundo Mme.Anne-Marie Chevalier, fisioterapeuta especializada na reabilitação das faces paralizadas, conhecida e respeitada mundialmente: “Quanto maior for o tempo de recuperação, menos sequelas o indivíduo terá ”.
Por isso, não tenha pressa em se recuperar, é importante que a reabilitação seja feita adequadamente, com paciência, perseverança e atenção.
Educação
Durante o processo de recuperação o paciente deverá aprender
bastante sobre as estruturas e a fisiologia da face. Havendo então um entendimento
de como os movimentos são produzidos ele poderá ajudar na eficácia do seu
tratamento.
Reabilitação
A reabilitação é lenta e minunciosa, isto em função das patologias e dos testes musculares.
Ela deve ser diária
Ela pede ao paciente muito controle na frente do espelho
Ela exige uma concretração importante que poderá ser traduzida como uma lentidão e fadiga
Ela deve ser feita de manhã e à tarde na medida do possível
Em geral a massagem não deve durar mais que 15 minutos e, os exercícios, só o fisioterapeuta vai dizer a duração do tradução do e principalmente do repouso.
A quantidade de exercício será em função do teste muscular feito pela fisioterapeuta.
Os movimentos orientados pela fisioterapeuta devem ser executados lenta e progressivamente, na amplitude e no número de contrações indicadas .
Reeducação facial é uma forma de reabilitação que inclui manipulação dos músculos faciais, exercícios específicos e eletromiografia de superfície para biofeedback. Uma avaliação de três áreas principais contribui para direcionar o tratamento de forma efetiva:
Simetria deficiente
Danos funcionais devido a atividade muscular inadequada.
Expressão facial comprometida (sorriso, aborrecimento, etc..)
Exercícios com movimentos específicos podem ser usados (elevar
a sobrancelha levemente, franzir o nariz de forma simétrica, etc..) no trabalho
com os específicos grupos musculares. O treino através de eletromiografia
de superfície para biofeedback se dá através de EMG computadorizado com
vários canais para melhorar o controle dos movimentos faciais. Em muitos
dos casos, o que era um movimento automático passa a ser algo que tem que
ser aprendido.
Relaxamento da atividade muscular hiperativa pode ser tratada através de
uma variedade de exercícios específicos e técnicas de manipulação. Como
resultado da re-inervação caótica a sinsinesia, movimentos em massas e co-contração
aparecem freqüentemente após a recuperação. Exercícios específicos podem
ajudar a reduzir esse problema que freqüentemente é percebido como tensão
dos músculos faciais, contração involuntária do canto da boca, ou ainda
fechamento do olho durante o sorriso.
Vitaminas
Vitaminas B12, B6 e zinco parecem ajudar na recuperação do nervo. Na verdade existe pouco respaldo cientifico para o uso de vitaminas, mas muitos pacientes relatam uma melhora significativa com suplementos de vitamina. Em alguns casos injeções de vitamina B12 podem ser prescritas pelo médico.
O que o paciente pode esperar ?
A regeneração normal do nervo se dá numa media de um milímetro por dia.
Apesar do crescimento de novas fibras ser bastante lento, a melhora pode
ser ajudada através de reabilitação com um profissional treinado em técnicas
de reeducação neuromuscular. Esse tipo de trabalho exige dedicação diária
por parte do paciente em repetir os exercícios utilizando as técnicas aprendidas.
A recuperação pode ser lenta, ou praticamente imperceptível no inicio, mas é importante que o paciente seja persistente no seu programa. Diferentes de outras formas de reabilitação, os objetivos dos exercícios são movimentos pequenos e controlados. Uso de fotos e/ou videoteipe é extremamente importante para documentar as mudanças e avaliar o progresso.
O que o paciente pode fazer ?
É bastante comum que o paciente receba orientação para fazer
exercícios com movimentação exagerada e com força excessiva. No entanto,
como esses exercícios não são específicos muitas vezes eles reforçam padrões
de movimento inadequados. Instruções como "feche os olhos com toda
força" ou "faça um sorriso exagerado" não iráo produzir o
movimento desejado e com simetria que seria necessário para normalizar a
função. O uso de exercícios com esforço máximo faz um recrutamento excessivo
das unidades motoras, produzindo padrões que são muito diferentes da expressão
facial normal, que é sutil e delicada.
Massagem com movimentos lentos e profundos também é recomendada. Essa massagem
possibilita que o músculo continue macio e flexível enquanto diminuindo
a contração e encurtamento do músculo.
Algumas dicas importantes:
- Usar óculos escuros para proteger seus olhos de poeira, poluição e quando sair ao sol
- Evitar ficar em lugares enfumaçados
- Não tomar banhos de piscina e mar sem uma proteção para os olhos
- Pingar colírio várias vezes ao dia conforme orientação médica
- Proteger o olho com tampão para dormir – usar um esparadrapo antialérgico (transpore) cortado em tirinhas de mais ou menos 5 cm x 1 cm formando um “X” em cima do olho paralisado.
- Matigar tudo devagar, dos dois lados e com a lingua limpar a cavidade bucal. Não colocar o dedo para retirar o alimento que pode ficar coletado entre os dentes e a gengiva.
- Passar água de um lado para o outro da bochecha durante o banho e quando escovar os dentes. Se vazar pelo lado paralisado então fazer uma pinça com o polegar e o indicador e segurar os lábios.
- Manter seus olhos bem abertos quando mastigar
Os exercícios serão realizados sempre na frente de um espelho para respeitar o eixo de simetria da face.
Como já citei anteriormente, o número de repetições, o tempo de manutenção e o tempo de repouso de cada exercício será orientado pela fisioterapeuta de acordo com o resultado do teste muscular e deverão ser respeitados.
Os músculos trabalhados não podem entrar em fadiga. Se você fizer os exercícios lentamente, conseguirá recrutar as fibras musculares, mesmo as mais distantes, virão para completar o movimento.
Mas, se ao contrário, você fizer rapidamente, apenas aquelas fibras musculares que estão mais próximas trabalharão. Por isso é fundamental que faça-os lentamente e conheça qual a capacidade de trabalho de seus músculos. Se você usar força nos seus exercícios, com certeza, logo aparecerão as sincinesias, que são aqueles movimentos indesejáveis desencadeados por movimentos voluntários, por exemplo: quando fechar os olhos o canto da boca do lado paralisado será repuxado para cima e para fora, ou falar e sorrir, fechará o olho paralisado.
Estas sincinesias não aparecerão se a reeducação for bem feita, orientada com precisão e equilíbrio, e também se o paciente não tiver se submetido a qualquer tipo de tratamento que utilize a eletroterapia ; pois sabemos que ela proporciona o aparecimento das hipertonias e mais tardiamente, das sincinesias.
Os sinais de reinervação são, na maioria dos casos, pequenos formigamentos ou comichões numa determinada área da face.
O indivíduo portador de paralisia facial fica muito ansioso por várias razões emocionais, familiares, profissionais, entre outras, e quer voltar a sorrir o mais breve possível. O sorriso é um movimento natural, espontâneo, que não devemos estimula-lo com exercícios, ainda que, os músculos do sorrizo fazem parte, segundo Dra.A-M Chevalier dos músculos ditos dilatadores e com conseqüência disto, são mais fortes que os músculos constrictores, aqueles que fazem o bico e fecham os olhos.
Existe uma ordem no trabalho muscular a ser seguida com muito rigor.
Temos que trabalhar primeiro os músculos mais fracos, (os constrictores) para depois trabalharmos os músculos mais fortes (dilatadores). Só assim conseguiremos a harmonia dos movimentos da face.
O que o paciente não deve fazer ?
Durante muito tempo acreditou-se que o uso de estimulação
elétrica na face ajudaria a recuperação. No entanto, esse preceito que veio
emprestado da fisioterapia pode ser útil para os músculos de tronco e membros
mas não funciona para a face. Os músculos faciais são diferentes do resto
do corpo e não respondem da mesma forma. Na verdade, acredita-se hoje que
a estimulação elétrica na face não é eficaz. Além disso, estudos mostraram
que estimulação elétrica não traz beneficio funcional algum para o paciente
com paralisia de Bell (declaração dada pelo National Center for Health Services
Research, 1984).
Na verdade, os pacientes podem demonstrar maior sinsinesia e movimentação
em massa após uso de estimulação elétrica. O pressuposto é que é praticamente
impossível isolar a estimulação elétrica à um só músculo ou grupo muscular
devido à proximidade e pequeno tamanho dos ramos no nervo facial.
Veja baixo as ilustrações do efeito do neurinoma do acústico no nervo facial.
Fonte
- * Texto extraído do material da fisiotepeuta Eliane M.Borges e do site
www.paralisiafacial.com.br
- Dra. Celia Santini, Phd
Ilustrações
extraidas do site da UCSF - http://itsa.ucsf.edu/~rkj/IndexAN.html
Tratamento Cirurgico e Reabilitação
ANASTOMOSE HIPOGLOSSO – FACIAL
Autores : Marcelo A Borgheresi e Eduardo Vellutini
Apesar da preservação da audição no tratamento cirúrgico dos neurinomas do acústico ser o enfoque atualmente mais comumente discutido, a preservação da função do nervo facial representa ainda, apesar dos avanços tecnológicos, um grande desafio para os neurocirurgiões e otorrinolaringologistas.
Os modernos métodos de imagem tem permitido o diagnóstico cada vez mais precoce desta lesão, sendo este o fator mais importante na melhoria dos resultados, uma vez que a possibilidade de preservação da função do nervo facial é inversamente proporcional ao tamanho do tumor. No entanto, por vezes ainda observamos pacientes os quais, seja pelo volume do tumor operado, seja por aderências importantes às estruturas neurovasculares, não apresentam evolução satisfatória da função do nervo facial após 8 a 10 meses de pós-operatório. Estes pacientes, além daqueles nos quais houve lesão anatômica do nervo no intra-operatório e não foi possível realizar anastomose direta, são candidatos à neurotização através da anastomose hipoglosso-facial.
A anastomose hipoglosso-facial é um procedimento cirúrgico de reconstrução dinâmica do nervo facial utilizando o nervo hipoglosso. A conectar-se o nervo hipoglosso ao ramo distal do nervo facial, espera-se que haja restauração dos movimentos faciais perdidos com a lesão do nervo. É utilizada desde 1901, tendo passado por algumas readaptações, e atualmente é considerada a técnica cirúrgica de escolha para as lesões do nervo facial sem possibilidade de reconstruçãio direta. Quando existe continuidade anatômica do nervo,não se recomenda que este procedimento seja realizado antes dos 8 meses de pós-operatório pois, neste período, existe a possibilidade de recuperação espontânea da função facial, resultado este geralmente superior ao resultado da anastomose.
Não é aconselhável o seu uso bilateral ou em pacientes que apresentam comprometimento significativo de outros pares cranianos baixos (IX, X, XI).
A técnica habitual consiste em exposição do nervo facial no forame estilomastoideo, com visualização do seu tronco principal, e do nervo hipoglosso extracraniano com o seu ramo descendente na região cervical. O nervo facial é seccionado no forame, o nervo hipoglosso é seccionado próximo à sua entrada na língua e o ramo descendente do nervo hipoglosso é seccionado o mais distalmente possível. O nervo hipoglosso é anastomosado ao tronco principal distal do nervo facial, e o ramo descendente do nervo hipoglosso, em algumas situações, é anastomosado ao segmento distal do nervo hipoglosso . (fig.1)

A secção do nervo hipoglosso, em pacientes que não apresentam comprometimento de outros nervos cranianos além do nervo facial, não compromete a função da língua seja para linguagem ou para mastigação e deglutição. Geralmente os pacientes apresentam hipotrofia da hemilíngua homolateral.
As primeiras evidências de reinervação começam a aparecer entre o 3° e o 6° mês após a cirurgia e se refletem principalmente em relação ao tônus muscular de repouso, melhorando a simetria estática da face.
A melhora da movimentação voluntária depende de treinamento fisioterápico intenso, cujo objetivo é criar novas conexões interneurais de forma a viabilizar uma resposta motora facial a partir de um estímulo neuronal originado em área motora da língua.
A desvantagem da anastomose hipoglosso-facial é a impossibilidade de retorno da movimentaçào espontânea à face paralisada.
Definimos como bons resultados quando a simetria facial ao repouso é quase normal, o fechamento ocular voluntário é completo, existe um moderado movimento bucal, ausência ou mínima dificuldade de comer, salivar ou falar, e o paciente se sentir satisfeito com a cirurgia.
Estes bons resultados são obtidos em mais de 60% dos pacientes que utilizam esta técnica, e estão correlacionados com pacientes mais jovens e principalmente com a correção precoce da paralisia facial.
BIBLIOGRAFIA
1. Pitty, L.F.; Charles, T.H. Hypoglossal – facial nerve aastomosis for facial nerve palsy following surgery for cerebellopontine angle tumors. J Neurosurg 77:724-31,1992.
2. Breidahl, A. Surgery for facial nerve palsy, in Kaye,A.H.; Black,P (eds.): Operative Neurosurgery. Churchill Livingston, 2000, pp2097-2109.
3. Chang, C.; Shen, A. Hypoglossofacial anastomosis for facial palsy after resection of acustic neuroma. Surg Neurol 21:282-6, 1984.
4. May, M et al. Hipoglossal – facial nerve interpositional jump graft for facial reanimation without tongue atrophy. Otolaryngol Head Neck Surg, 104: 818-25, 1991.
Fisioterapia nas paralisias faciais pós cirurgia de anastomose hipoglosso facial
Autora : Eliane Macedo de Mendonça - Fisioterapeuta
Reabilitação fisioterápica nas paralisias faciais periféricas pós anastomose hipoglosso-facial
A reabilitação dos pacientes submetidos à cirurgia de anastomose hipoglosso-facial é única, muito interessante e bastante diferente nos seus resultados. Na maioria das vezes tem como resultado final uma boa simetria da face em repouso e uma satisfatória coordenação dos movimentos faciais, que levam o paciente a ter uma vida confortável, podendo, entre outras atividades, comer e conversar em público, sem constrangimentos.
Mesmo nos melhores casos, déficits de mobilidade facial existem e variam entre 30% a 40%. Músculos como o frontal, piramidal e mentoniano, não retornam à sua função muscular devida.
A fisioterapia é indicada já no primeiro mês após a cirurgia, ela deverá se realizada a cada quinze dias no início, até poder ser realizada mensalmente. A freqüência do tratamento vai depender também do estado emocional do paciente.
A maior parte das paralisias faciais pós anastomose hipoglosso-facial, evoluem sem sincinesias, que são aqueles movimentos involuntários causados por movimento voluntário. As mais freqüentes são as olho-boca, boca-olho e frontal-boca, além das sincinesias emocionais; elas são visíveis na mastigação, fala, sorriso e piscamento.
O tratamento fisioterápico visa essencialmente a dissociação dos movimentos do olho e da boca; e é baseado unicamente em cinesioterapia. O olho é na maioria das vezes o último a recuperar-se.
Os exercícios específicos na reabilitação dos pacientes com anastomose hipoglosso-facial devem ser feitos pelos pacientes várias vezes ao dia, mas nunca demorarem mais que 10 minutos cada vez que fizerem. Os resultados podem começar a aparecer a partir do quarto mês de evolução. Os exercícios devem iniciar sempre com a musculatura constrictora da face e depois a musculatura dilatadora, isto para não deixar as seqüelas aparecerem. Por exemplo: para fechar os olhos é necessário pressionar a língua nos dentes superiores, internamente.
A duração do tratamento varia bastante e desta variação constam muitos fatores, mas é em torno de um ano e um ano e meio que acontece a recuperação do paciente.
O tratamento fisioterápico inicia-se com uma completa e cuidadosa ficha de avaliação. Os testes musculares devem ser feitos após o primeiro mês da cirurgia e depois a cada três/quatro meses da intervenção, tempo que a anastomose inicia seus resultados. Para este procedimento, deve ser levado em conta a mobilidade da língua.
Esta ficha de avaliação consta de vários testes, entre eles:
- Teste de função muscular: avalia-se cada um dos músculos da face, usando a cotação de grau zero a grau quatro.
- Avaliação do tônus muscular: avalia-se internamente as bochechas para graduar o tônus em hipertonia (+1, +2 ou +3) normotonia ou hipotonia (-1,-2 ou –3)) e avalia-se também os sinais exteriores de hipertonias,
- Avaliação das seqüelas de sincinesias onde constarão os graus de +1,+2 ou +3 das sequelas olho-boca, boca-olho, frontal-boca ou emocionais.
É importante, na primeira avaliação, fazermos fotografias nas posições olhos fechados, tentativa de um bico e um sorriso, e refazer estas fotos a cada seis meses.
Algumas orientações são dadas na primeira sessão e precisam ser seguidas de imediato,independente do tempo de cirurgia e das condições do tônus muscular, entre elas estão:
1. Usar compressas de água quente nas bochechas, bilateralmente, durante 10 minutos, uma vez ao dia. Nos casos de paralisias faciais é incomum perder a sensibilidade da face paralizada, mas, mesmo assim é importante lembrar que, quando usar as compressas quentes, deve-se usá-las primeiro no lado bom para ter certeza de que não vai se queimar e depois do outro lado.
2. O colírio, indicado pelo seu médico, deve ser seu “aliado”. Não é demais lembrar que o olho paralisado não se lubrifica como antes, então, o uso do colírio a cada duas horas é importantíssimo. Limpar o olho com lenço de papel e nunca com as mãos.
3. Dormir usando um tampão no olho paralisado também pode ajudar a evitar complicações oculares. Use o Transpore cortado em tiras de mais ou menos 2 cm de largura por uns 8 cms de comprimento e faça um X em cima do olho paralisado. Não é indicado o uso do Micropore. Pode-se também cortar o Transpore em uma fita mais larga e colá-lo em cima do olho fechado.
4. Algumas vezes a pomada oftalmológica é indicada e deve ser usada corretamente.
5. Evitar piscinas e mergulhos.
6. Usar óculos escuros para sair ao vento e grande luminosidade. Estes óculos devem ser de um modelo que proteja a lateral dos olhos também.
7. Deve-se mastigar lentamente, não comer alimentos muito pastosos como purês. Tentar mastigar tudo dos dois lados, mesmo que tenha dificuldade no início. Tentar usar a língua para limpar a cavidade bucal.
8. A higiene bucal deve ser intensificada. Caprichar no uso de fios dentais, antissépticos bucais e escovação. Deve-se procurar um dentista para supervisão.
9. O uso de shampoos, sabonetes e produtos de higiene facial deve ter o Ph neutro, do tipo para crianças.
10. Faça um bloqueio na bochecha do lado bom com a mão enquanto fala, ou seja, não deixe que o lado bom trabalhe ainda mais, segure-a para que o lado paralisado inicie o seu trabalho. Esta manutenção deve ser feita de forma que a face fique simétrica, alinhe o sulco naso-geniano, ou seja, nariz com o centro da boca.
A reabilitação da face é lenta e minuciosa, leve em conta todas as orientações da sua fisioterapeuta, não faça exercícios aleatórios nem com muita força, lembre-se que os músculos faciais são músculos emocionais, eles não agüentam trabalhar com força nem rapidez.
Não tenha pressa em se recuperar, algumas vezes, quanto mais tempo demorar para melhorar , melhor fica.
| Resolução mínima de 800x600 - Solução: CHROMAWEB Ultima Atualização: 09 de Dezembro de 2004 as 10:00 horas ©2001 Bruno Rebouças Tamassia. Todos direitos reservados. Site pessoal mantido sem recursos de patrocinadores |