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O que é Neurinoma do Acústico?
São tumores do nervo auditivo conhecidos por diferentes nomes como: neuromas,
neurinomas, vestibular schwanomas ou neurofibromas do acústico. Segundo dados
do HEI (House Ear Institute):
- Eles constituem aproximadamente 6 % de todos os tumores cerebrais.
- Eles ocorrem em todas as raças e tem uma pequena predileção por mulheres
Os neurinomas do acústico são tumores benignos de crescimentos fibrosos que
se originam do nervo da audição ou do equilíbrio que podem também ser chamados
de oitavo par de nervos cranianos ou nervos vestibulocochlear. Os neurinomas
do acústico, por não serem malignos não se espalham no organismo (não criam
metástases). Eles começam no canal interno do ouvido e podem se expandir até
o cérebro. Podem estar localizados profundamente no crânio e próximos a centros
vitais do cérebro. Os primeiros sintomas são normalmente relacionados com
perda de audição, barulhos no ouvido (zumbidos) ou falta de equilíbrio.
Enquanto o tumor cresce ele pode envolver nervos ou estruturas vizinhas responsáveis
por funções vitais. Dores de cabeça podem aparecer devido a um aumento da
pressão intracraniana ou distúrbios vasculares locais.
Na maioria das vezes este tumor tem crescimento lento, demorando anos para
desenvolver-se. Em outros casos ou em algumas fases do desenvolvimento seu
crescimento pode ser rápido. Normalmente, em grande parte dos pacientes os
sintomas são leves e quase que imperceptíveis , muitos não apresentam qualquer
evolução do quadro durante anos, o que é observado através de Ressonância
Magnética anual. Antes de 1960 os pacientes com neurinoma do acústico sofriam
muito em função da falta de um tratamento efetivo.
William Aloja introduziu conceitos revolucionários como a microcirurgia que
revolucionou o tratamento do neurinoma do acústico. Com os avanços da técnolçogia
aplicados a medicina, o gerenciamento deste problema está sofrendo constantes
mudanças.
Formas de Neurinoma do Acústico
Os neurinomas do acústico podem ocorrer de duas formas:
- Esporádicos
- Associados a Neurofibromatose Tipo 2 (NF 2)
Segundo estatísticas do HEI, aproximadamente noventa e cinco porcento (95%)
dos casos de neurinoma do acústico são esporádicos e são unilaterais. Por
outro lado, os neurinomas associados a NF 2 são bilaterais e consistem aproximadamente
cinco porcento dos casos (5%).
Os pacientes que possuem neurinoma do acústico esporático, costumam começar
a apresentar alguns sintomas entre 40 e 60 anos de idade. Pacientes portadores
de NF 2 costumam desenvolver os primeiros sintomas na fase conhecida como
jovem adulto (20 a 30 anos). Existe uma grande possíbilidade de variações
em relação as idades e primeiros sintomas.
A grande maioria dos portadores de NF 2 possuem neurinoma do acústico bilateral
porém, é pouco comum encontrarmos neurinoma do acústico em portadores de NF
1. Os portadores de NF 2 tem grande chance de desenvolver tumores benignos
ao longo dos nervos também em outras localizações do sistema nervosao central,
como cérebro e coluna.
Perguntas frequentes sobre neurinoma do acústico
1 - Se eu tenho um neurinoma do acústico, meu filho pode ter um também
?
A maioria dos casos de neurinoma do acústico são unilaterais e não são
hereditários. Noventa e cinco porcento (95 %) dos casos são esporádicos. Os
pacientes com NF2 tem na grande maioria das vezes neurinomas do acústico bilaterais.
Porém , em cinco porcento (5 %) dos casos, estes tumores são bilaterais e
são associados com uma desordem genética hereditária chamada Neurofibromatose
Tipo 2. Nos casos associados a NF 2, a chance de transmissão da desordem para
os filhos é de cinquenta porcento(50 %) e um aconselhamento genético deve
ser sempre realizado.
2- Por que eu ? O que causa o desenvolvimento deste tumor ?
A causa exata ainda não é conhecida porém existem uma série de pesquisas
que estão sendo realizadas fora do Brasil para tentar entender e identificar
os agentes responsáveis pelo desenvolvimento do neurinoma do acústico. Menos
de 5 % dos casos são provenientes de uma desordem genética chamada neurofibromatose
tipo 2 (NF2) e os demais casos a causa não é conhecida. Isso significa que
qualquer um pode ter um neurinoma do acustico.
3- Meu neurinoma do acústico deve ser tratado ?
Saiba mais sobre isso na seção de Tratamento. O importante é saber
que os tumores são benignos e tem o crescimento muito lento na grande maioria
dos casos. Portanto não se esqueçam que os pacientes normalmente tem tempo
para refletir, pesquisar e escutar diversas opniões até encontrar uma equipe
que tenha experiência e transmita confiança. A conversa com outros pacientes
é fundamental para ajudá-lo a identificar o médico mais experiente para seu
tratamento. Não importa o que caminho você tome para tratamento, é importante
que você esteja sendo tratado por uma equipe competente e com muita experiência.
A decisão final do tratamento a ser realizado deve ser sua em comum acordo
com o seu médico.
4-
Existe algum grupo ou associação que eu posso contatar?
Ainda não temos conhecimento de associações no Brasil que possam passar
informações sobre neurinoma do acústico porém desenvolvemos este site, exatamente
com o objetivo de aproximar as famílias para troca de informações e em um
futuro próximo fundarmos um grupo, por tanto sua participação é fundamental.
Porém temos ótimas associações em outros paises que podem passar informações
sobre neurinoma do acústico, consulte nossos Links. Quando falamos em Neurofibromatose,
a história é um pouco diferente, temos atualmente quatro (4) grupos no Brasil
que poderão fornecer maiores informações, consulte nossos Links.
5- Que especialidade médica deve ser consultada sobre o tratamento do
neurinoma do acústico?
As especialidades mais indicadas são neurocirurgião ou otoneurologista
que tenham experiência em tratamento de neurinoma do acústico . Existem diversos
centros de tratamento espalhados por vários países do mundo com equipes especializadas
para tratar de neurinoma do acústico, no entanto , no Brasil ainda desconhecemos
qualquer tipo de centro especializado em neurinoma do acústico. É muito importante
conhecer o nível de experiência do médico em tratamentos de neurinoma do acústico,
o paciente não deve ter vergonha e deve sempre perguntar quantos casos aquele
médico já tratou nos últimos anos e quais foram os resultados obtidos. Os
pontos que devem ser questionados com os médico são sobre índice de preservação
do nervo facial, índice de preservação da audição e as possiveis complicações
da cirurgia ou da radiocirurgia.
6 - Como estes tumores se comportam?
Em geral estes são tumores benignos com crescimento lento e que passam
a apresentar problemas aos portadores no momento que eles começam a comprimir
o nervo. Alguns problemas comuns são: Perda de audição , zumbido e desequilibrio
Com o aumento dos tumores o cérebro pode ser comprimido causando outros sintomas
como: Enxaqueca e paralisia facial A taxa de crescimento médio de um vestibular
schwannoma é mais ou menos 2 a 4 milímetros (1/12 a 1/6 de uma polegada) por
ano para pessoas que não possuem NF2.
Sua taxa de crescimento também não é constante e ele pode acelerar ou reduzir
a velocidade de crescimento de tempos em tempos.
Observe alguns aspectos do funcionamento do ouvido humano para entender
melhor a localização de um neurinoma do acústico
O ouvido é dividido basicamente em ouvido externo, médio e interno:
- O externo compreende a orelha e o canal externo do ouvido e termina no tímpano.
- O médio compreende o tímpano, os ossinhos do ouvido (martelo, bigorna e
estribo) e a parte chamada mastóide, que são pequenas cavidades ósseas cheias
de ar.
- O interno corresponde à cóclea, labirinto e canal interno. Da cóclea sai
o nervo auditivo que vai pelo canal interno até o cérebro.
Neste canal interno que é de osso também passa o nervo facial (responsável
pela movimentação de músculos da face) e o nervo vestibular (do equilíbrio).
Este canal tem ligação direta com a cavidade cerebral. O som se espalha através
de uma vibração pelo ar. Esta vibração é captada pela orelha externa (pavilhão
auditivo e canal externo do ouvido). Esta vibração atinge a membrana do tímpano
que funciona como se fosse uma membrana de um tambor super sensível. Estas
vibrações fazem a membrana timpânica vibrar. Na membrana do tímpano encontra-se
fixado um pequeno osso chamado martelo. O martelo está articulado em um outro
osso chamado bigorna que pôr sua vez articula-se no estribo. este conjunto
de pequenos ossos se movimenta com a vibração da membrana do tímpano e amplificam
esta vibração como um sistema de "roldanas" transmitindo esta vibração a uma
pequena membrana que se encontra encostada no estribo e oclui o canal da cóclea.
O canal da cóclea é cheio de um líquido e tem a forma em espiral como de um
caracol. Com a vibração da cadeia de ossinhos que conseqüentemente faz vibrar
a membrana da cóclea, este liquido se movimenta dentro da espiral coclear.
A espiral é revestida internamente de células que tem cílios, que ficam embebidos
neste liquido e se movimentam com a movimentação do líquido.
Para melhor compreensão é como uma plantação de trigo que se movimenta com
o vento em várias direções. Esta movimentação gera uma pequena energia elétrica
que é transmitida ao cérebro pelo nervo da audição onde será descodificada
e gerara a compreensão dos sons.
Os tumores do acústico podem ser classificados em grandes, médios e pequenos:
Tumor Pequeno: O tumor pequeno é aquele que ainda está confinado só
no canal interno que se estende do ouvido até o cérebro. Através deste canal
passam os nervos responsáveis pela audição, equilíbrio e movimentação dos
músculos mímicos da face bem como alguns vasos sanguíneos que nutrem o ouvido
interno.
Veja as imagens abaixo:
Visto de outro ângulo:
Tumor Médio: O tumor médio é aquele que se estende do canal interno
para a cavidade craniana onde está o cérebro mas não comprime nenhuma estrutura
cerebral.
Veja as imagens abaixo:
Visto de outro ângulo:
Tumor Grande: O tumor grande é aquele que se estende para fora do canal
interno para dentro da cavidade cerebral e é suficientemente grande para produzir
alguma pressão no cérebro, podendo alterar alguns centros vitais.
Veja as imagens abaixo:
Visto de outro ângulo:
*
Este material foi composto de informações provenientes do House Ear Clinic
e também de um artigo publicado pelo Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento Professor-Associado
de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Chefe do Grupo de Ouvido do Hospital das Clínicas da FMUSP
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