Neurofibromatosis Tipo 2 Neurinoma do Acústico Histórias Verídicas Principais Centros Artigos Médicos ABI Links Home

Introdução

O objetivo de uma cirurgia é causar o menor número possível de seqüelas nas estruturas próximas ao tumor ou seja no nervo facial, no tronco cerebral, no cerebelo, nas artérias e veias e no nervo trigêmeo. Na grande maioria dos casos estes objetivos são perfeitamente possíveis.
 
Para o preparo da cirurgia normalmente são necessários os seguintes exames:

- Audiometria Tonal e Discriminação vocal.

- Tomografia Computadorizada de Ossos Temporais

- Ressonância Magnética de Crânio

- Nos tumores grandes as vezes angiografia (estudo dos vasos sanguíneos cerebrais)

- Exames de sangue pré operatórios.

- Exame clínico com médico clínico geral para avaliar condições para anestesia prolongada.

Métodos Cirurgicos

A escolha para o melhor método cirurgico a ser utilizado, depende de uma série de fatores como por exemplo o tamanho do tumor e a audição preservada até o momento da escolha.

Vale ressaltar que quanto maior o tumor, menor é a chance de preservar a audição.

Os três métodos mais comuns(ou mais utilizados) de cirurgia para o neurinoma do acústico são:

1-Acesso Translabirintino

2-Acesso via Fossa Média

3-Acesso Retrossigmóideo - Transmeatal

 Os métodos são chamados de microcirugia pois são realizados com  microscópio, vale salientar que todos eles utilizam anestesia geral.

O tempo de cirurgia pode variar de duas a dez horas e o tempo de internação do paciente pode variar de cinco a oito dias conforme sua recuperação.

Existe grande discução sobre qual é o acesso mais indicado isto é, o que traz menores índices de complicações.

As literaturas modernas discutem sobre a continuidade na realização do acesso translabirintino, segundo os médicos este método possui a grande desvantagem de sacrificar a audição e limitar a visualização do tronco cerebral e da fossa posterior, principalmente em casos de tumores muito grandes.


Acesso Via Translabirintica

O acesso translabirintino pode ser escolhido pelo time cirúrgico quando o paciente não possui mais audição funcional ou quando uma tentativa de preservação da audição seria impraticável.

A incisão é feita atraz da orelha, retirando-se o osso mastoide e alguns ossos do ouvido interno, permitindo assim excelente exposição do canal auditivo interno e da localização do tumor.

Esse método facilita a identificação do nervo facial no osso temportal antes de qualquer remoção do tumor.

O cirurgião portanto, tem a vantagem de conseguir visualizar a localização do nervo facial antes de disecar ou remover o tumor.

Foi descrita inicialmente por Panse (4), em 1904, como sendo a via mais direta para o ângulo ponto cerebelar e depois utilizada por Quix (otorrino)(4), em 1911, com sucesso. Posteriormente, em 1964, W. House passa a utilizá-la e juntamente com Heitselberg, aprimoraram a técnica e a difundiram. Para House (1964)(11), esta técnica é um avanço cirúrgico no tratamento dos schwanomnas, com reduzida mortalidade e morbidade.

Vantagens da via

Não há ressecção, nem afastamento do cerebelo. É a via mais direta e atraumática para as estruturas profundas. Não há necessidade de drenagem ventricular. Há completa exposição da parte externa do tumor e se pode fazer a exérese total da porção labiríntica. A posição do cirurgião e do paciente é mais confortável. Não há risco de embolia gasosa. O acordar pós-cirúrgico é mais precoce. Permite reintervenção mais rápida no caso de hemorragia (hematoma). Utilizada mesmo no caso de tumores volumosos. Há um bom reparo para nervo facial _ Bill's bar. Preserva-se o nervo facial.

Desvantagens

Não preserva a audição a via é estreita (a não ser que se faça um petrectomia), pouco se enxerga quando se vai separar o tumor preso ao tronco cerebral. Via limitada para se visualizar os pólos superior e inferior do tumor. Daí a tendência de uma exérese parcial em casos de tumores volumosos Quando existe surdez parcial, esta via não pode ser utilizada. O eixo de dissecção do tumor pode ser problemático devido à presença do seio sigmóide. Não pode ser utilizada em casos de otite crônica. O número de fístulas liquóricas é maior, inclusive com necessidade de reexploração.
Uma variante desta técnica, que visa diminuir estes inconvenientes, é a via transótica, em que se amplia mais a abertura translabiríntica para se expor melhor o ângulo ponto cerebelar, e facilitar a extirpação de tumores mais volumosos. As complicações desta via são as mesmas da translabiríntica.

Veja abaixo os esquemas desta técnica cirurgica :

Fontes:


House Ear Institute – www.hei.org
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – www.sbn.com.br
www.earsite.com
Livro Surdez Neuro-Sensorial
Autores: Dr.Pedro Luiz Mangabeira Albernaz e Dr.Maurício Malavasi Ganança


Acesso via Fossa Média

Image Is Loading

Esse método é utilizado principalmente para preservação da audição. Um pequeno fragmento de osso é retirado acima do canal auditivo para permitir exposição do tumor através da superfície superior do canal auditivo além do ouvido interno.

Este acesso é usado para tumores pequenos, em casos aonde existe a chance de se preservar a audição.

Um corte é feito começando na frente da orelha e se extendendo acima dela em forma de curva.

O osso é removido até a exposição do topo do canal auditivo interno para que o tumor seja exposto.

O tumor é removido integralmente na grande maioria dos casos, o grande objetivo deste acesso é preservar a audição e remover o tumor por completo.

No HEI , a audição é preservada na grande maioria dos casos de tumores pequenos.


Via Sub-Petrosa / Via Sub-Temporal / Via Fossa Média

Via descrita por House e Kurze (4), em 1958, para uma abordagem restrita ao CAI (Canal auditivo interno), evitando-se lesar o nervo facial, cóclea e canal semicircular superior. A primeira cirurgia utilizando essa via, para extirpação de um neurinoma foi realizada por House e Doyle (4) em 1961.

O acesso via Fossa Média foi desenvolvido por cirurgiões do House Ear Clinic (HEI), sendo atualmente o centro que tem a maior experiência neste tipo de cirurgia em todo o mundo.

Vantagens

A indicação básica para utilização desta via de abordagem é a retirada de tumores no estágio I que estejam estritamente intracanaliculares e principalmente quando se deseja preservar a audição. Esta via permite uma secção seletiva do nervo vestibular e retirada do tumor dentro do CAI (Canal auditivo interno).
É o método que possui melhores resultados de preservação de audição quando realizado por médicos com vasta experiência.


Desvantagens

Devido ao afastamento do lobo temporal pode-se ter distúrbio neurológico ser lesado, o que pode ocorrer devido a profundidade do campo e a sua situação mais superficial. Trabalha-se numa superfície limitada por estruturas importantes. A procura de pontos de reparo na profundidade pode determinar lesões de outros nervos. Hematoma extradural (excepcional), fístula de líquor (rara), infecção meníngea (pode ocorrer). A hemotasia é difícil de ser realizada devido ao reduzido campo e a sua profundidade. A dura máter em pacientes idosos é mais friável e pode ser danificada.
O método só pode ser utilizado para tumores pequenos com no máximo 1,5 cm e localizados dentro do canal auditivo (meato acústico interno).

O método também é perigoso para a preservação do nervo facial. Algum dano no cortex cerebral, pode ocorrer.

Veja abaixo os esquemas desta técnica cirurgica :

 

Fontes:
House Ear Institute – www.hei.org
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – www.sbn.com.br
www.earsite.com
Livro Surdez Neuro-Sensorial
Autores: Dr.Pedro Luiz Mangabeira Albernaz e Dr.Maurício Malavasi Ganança




Acesso Retrossigmóideo / Acesso Via Suboccipital


Foi Sir Charles A. Ballance (1856-1936)(4) que, em 1894, extirpou com sucesso o primeiro schwanoma, "blunt finger dissection". Posteriormente, Cushing(1917-1937)(4), em vista da alta taxa de mortalidade(quase 100%) decorrente da cirurgia destes tumores, preconiza a exérese parcial e com isso conseguiu baixar essa taxa para valores em torno de 4%.

Dandy (1925)(4), já naquela ocasião, estava convencido de que o melhor tratamento para estes tumores seria sua extirpação total. Atualmente a tendência é de se promover extirpação total, desde que possível, na tentativa de evitar recidivas.
Ao se utilizar essa via, deve-se levar em consideração; o tipo de anestesia, a posição do paciente (decúbito lateral ou sentado), a extensão da craniotomia, o afastamento das estruturas nervosas, os princípios básicos da dissecção tumoral, e a abertura do CAI. Assim pode-se ter as seguintes etapas:

1.Anestesia: geral e associada a todos equipamentos disponíveis tais como: registro continuo da temperatura, da tensão arterial média, ECG, gases do sangue etc.
2.Posição do paciente: opções: sentada, semi-sentado ou 3/4 prona, cabeça em rotação a 30 graus, em direção ao lado do tumor, ou posição de Mount. E fixação por três pontos (Mayfield).
3.Incisão cirúrgica: paramediana ou retroauricular com exposição da mastóide.
4.Craniectomia ou craniotomia: a ressecção óssea incluirá parte da mastóide e deverá expor parcialmente seio sigmóide (uma ressecção óssea ampla poderá causar mais dano à cortex cerebelar devido a tendência de se querer uma maior abertura do campo operatório. Esta abertura nos dará uma boa visão da pirâmide petrosa sem interposição do hemisfério cerebelar.
5.Abertura da dura mater: a incisão é limitada superiormente pelo seio transverso e lateralmente pelo seio sigmöide e em baixo pelo porção horizontal do osso occipital. Pode-se fazer excisão em forma de "C" com limites ao nível dos seios. Há de se atentar para a não abertura destes.
6.Princípios da dissecção tumoral: com a utilização do microscópio cirúrgico as etapas seguintes devem ser seguidas gradual e rotineiramente: a. liberação ou abertura parcial da aracnóide do polo posterior do tumor; b. Abertura da capsula com esvaziamento parcial do conteúdo tumoral; c. liberação nervos IX,X,XI e XII; IV. Deve-se trabalhar durante a dissecção entre as folhas da aracnóide; d. para completar o esvaziamenrto do tumor utilizam-se curetas e dissector ultrassônico. Qualquer tipo de tração deverá ser evitada; e. Seguir um plano de dissecção estabelecido: dissecção dos nervos VII e VIII próximo ao tronco ou ao nível de sua emergência no porus (dois pontos de reparo fixos e importantes). A estimulação elétrica pode ajudar, principalmente na identificação do nervo facial. Todos vasos que passam sobre a cápsula tumoral devem ser tratados como sendo vasos nutridores do tronco cerebral Rothon (20). O registro das variações do ritmo cardíaco e da temperatura nos darão informações preciosas sobre o carácter da dissecção (se agressiva ou não). Tanto a dissecção cirúrgica, como a preservação dos vasos e nervos serão mais difíceis, quanto maior for o tumor e sua consistência; f. abertura do CAI, iniciando-se com incisão dural em meia lua, seguindo-se retirada óssea com "drill" (evitar abertura do vestíbulo, do golfo da jugular, do saco endolinfático, do canal semi-circular posterior etc. g. antes de se iniciar fechamento que será por planos, deve-se obstruir a parede do CAI com cera e completar a oclusão com fragmentos de gordura, para se evitar aparecimento de fistula liquörica.

Vantagens desta via

Pode ser utilizada para qualquer volume tumoral. A visão obtida com auxílio do microscópio cirúrgico é excelente e permite uma melhor dissecção. Essa via possibilita a preservação da audição, visualização de todo tronco cerebral, das artérias, das veias e dos nervos, exceto aqueles anteriores ao tumor. Há espaço suficiente para se trabalhar, inclusive para se anastomosar nervos seccionados, facilita-se a hemostasia. No caso de pequenos e médios tumores, tanto o nervo coclear, como o facial poderão ser preservados. Outra vantagem é a drenagem de sangue no momento da cirurgia, que se faz para fora do campo operatório. É a única via que permite exploração da região do ângulo ponto cerebelar, sem lesar as estruturas do ouvido interno (cóclea e labirinto).

Desvantagens desta via

Há necessidade de se afastar o hemisfério cerebelar, o que pode desencadear complicações no pós-operatório (hematoma, edema cerebelar, etc). Há dificuldade em se visualizar os nervos facial e coclear. A porção mais interna do CAI é difícil de ser abordada, assim como sua exploração. Não há nenhuma referência fixa, como ponto de reparo, para localizar o nervo facial que muitas vezes se encontra estirado e difícil de ser localizado. Pode-se ter hidrocefalia e a presença de fístula liquórica, que pode ser um fator de mau prognóstico na evolução clínica do paciente.

Há risco de embolia gasosa e no pós operatório cefaléia occipital e cervical.

Paraparesia e quadriplegia podem ocorrer devido à posição sentada. Há risco de recidiva tumoral pela dificuldade de se explorar a parte profunda do CAI.
Algumas destas complicações podem ser evitadas ou corrigidas à medida que são detectadas. Assim, a posição em três quartos prona poderá evitar ou diminuir o aparecimento de embolia gasosa. Também o uso de cera na hemostasia óssea, coagulação de todos vasos visíveis, compressão jugular de repetição, irrigação abundante na abertura, a utilização de ecodoppler cardíaco para se detectar rapidamente as embolias e o uso de estimulação e monitorização durante a cirurgia podem minimizar os riscos maiores dessa cirurgia. Todos os contratempos desta abordagem poderão ser evitados à medida que se adquira mais experiência e se siga uma rotina estabelecida previamente.

Leia mais detalhes do método abaixo :

 

Este é o acesso eleito como o mais adequado pelos neurocirurgiões, pois permite adequada exposição cirúrgica para todos os tipos e tamanhos de tumor, identificação do nervo facial dentro do par acústico interno e controle dos vasos e nervos do ângulo cerebelopontino.

A retração cerebelar e a inadequada exposição do fundo do poro acústico interno têm sido relatadas como sendo as principais desvantagens do acesso retrossigmóide . Porém utilizando-se técnicas apropriadas tais como posição adequada, remoção das células aéreas retromastóideas, para a adequada exposiçãp do seio sigmóide, e abertura da cisterna magna, quase nenhuma retração cerebelar é necessária.

As duas posições mais utilizadas para o paciente na mesa cirúrgica são a semi-sentada e o decúbito lateral.

A posição decúbito lateral normamente é utilizada em idosos aonde existe risco de lesão cervical por rotação excessiva da cabeça, já a semi-sentada tem sido reservada para tumores de grande volume. Esta posição ,nesse casos, favorece a drenagem de sangue enquanto o cirurgião  faz a redução da massa tumoral, não dificultando assim a identificação dos nervos faciais e coclear.

Na grande maioria do casos utiliza-se bastante a posição supina ou “de mastóide”, a posição é confortável para o paciente e permite ótima visualização das estruturas do ângulo cerebelopontino.

A técnica cirúrgica do acesso retrossigmóideo-transmeatal consiste de quatro passos:

1-Incisão de pele e craniotomia

2-Drenagem da cisterna magna e exposição do tumor

3-Redução tumoral/ broqueamento do poro acústico interno

4- Fechamento por planos

Na maioria dos casos os tumores são completamente removidos, em alguns casos,devido a invasão do tumor no nervo auditivo, é necessário sacrificar a audição para remover completamente o neurinoma.

O sucesso da preservação da audição nestes casos depende muito do tamanho do tumor e da condição do nervo auditivo em relação ao tumor.

O uso de técnicas de monitoração intra-operatórias para o nervo facial, especialmente o potencial evocado, tem-se mostrado muito úteis para aumentar a taxa de conservação do nervo facial.

Fontes:

House Ear Institute – www.hei.org
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – www.sbn.com.br
www.earsite.com
Livro Surdez Neuro-Sensorial
Autores: Dr.Pedro Luiz Mangabeira Albernaz e Dr.Maurício Malavasi Ganança
Livro “Tópicos em Neurocirurgia”, capítulo 8 – Neurinoma do Acústico, escrito por Ricardo Ramina, João Jarney Maniglia, Maurício Coelho Neto, Yvens Barbosa Fernandes, Murilo Souza de Meneses e Guilherme Borges.

 


Resolução mínima de 800x600 - Solução: CHROMAWEB

Ultima Atualização: 05 de Setembro de 2003 as 10:00 horas
©2001 Bruno Rebouças Tamassia. Todos direitos reservados.
Site pessoal mantido sem recursos de patrocinadores



Atenção: Todas as informações que você encontra em www.neurinoma.com.br  têm como objetivo manter o usuário bem informado, mas de nenhuma maneira devem substituir as recomendações médicas. Você não poderá usar esta informação para fazer diagnósticos ou conduzir o tratamento de uma doença ou qualquer questão de saúde sem consultar antes um médico. Procure seu médico se tiver qualquer dúvida ou preocupação sobre seu estado de saúde. O uso de qualquer tipo de informação oferecido neste site está sujeito aos termos descritos acima. 

 


NEURINOMA DO ACÚSTICO
>
TRATAMENTOS
.


MICROCIRURGIA


INTRODUÇÃO


ACESSO TRANSLABIRINTINO


ACESSO VIA FOSSA MÉDIA


ACESSO RETROSSIGMÓIDEO