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HISTÓRIAS VERÍDICAS
Rosa
Meu nome é Rosa Maria Canhassi, tenho 28 anos e no dia 31/10/02
fui operada de um Neurinoma do Acústico lado direito. Tudo começou a anos
atrás em 1994, quando percebi que a minha audição estava diminuindo, procurei
um otorrino que somente fez alguns exames clínicos no ouvido e diagnosticou
como uma inflamação por água de piscina, pois na época eu praticava
natação, passei meses pingando remédios no ouvido para inflamação e nao percebia
melhoras, voltei no mesmo médico que me deu um diagnóstico de perda gradual
de audição devido a essa mesma inflamação, seu diagnóstico foi claro que eu
não voltaria mais a ouvir, passado um tempo procurei outro otorrino,
e este me pediu uma tomagrafia computadorizada, fiz e este médico também
diagnosticou a mesma inflamação , pois na tomografia eles não conseguiram
"ver"o Neurinoma pois ele era ainda muito pequeno e ainda estava
dentro do canal auditivo interno, me conformei que não ouviria
mais e me adaptei a ter somente uma audição
Em 1996 comecei a sentir fortes tonturas, procurei vários
médicos e um deles um outro otorrino pois pensei que pudesse ser algo
relacionado com o labirinto, fiz vários exames e depois de vários
esse médico me pediu uma ressonância magnética, feita a ressonância foi detectado
um Neurinoma do Acústico de 1 cm aproximadamente. Dai minha vida começou a
ter outro rumo. Uma corrida a procura do médico neurologista ideal, um desespero
total para mim e para minha família, a palavra tumor era tão forte que meu
pai mal conseguia pronunciar a palavra, no total foram 13 médicos que procurei
na época, tanto aqui em Bauru , cidade onde resido, como em Santos, São Paulo,
Campinas e Ribeirão Preto.
Decidimos ficar com o médico de São Paulo, pois ele me parecia
mais experiente e sensato, nossa decisão foi não operar de imediato, pois
o tumor ainda era pequeno, fiquei aliviada de momento, mas preocupada, antes
outros médicos falaram em cirurgia de emergência, onde eu teria que sair do
consultório dele diretamente para o hospital, outros queriam a radiocirurgia,
muitas informações e eu realmente não sabia a quem recorrer, mas todos aqui
em casa decidiram esperar um pouco mais para uma cirurgia. Eu fazia
ressonância magnética de 6 em 6 meses, um controle do crescimento o tumor,
passava pelo médico e ele achava que podia esperar um pouco mais e assim fui
levando minha vida sem maiores problemas sabia que tinha
um tumor na cabeça mas sabia que era pequeno, até mesmo meu médico neurologista
me dizia que eu ia morrer com isso mas não ia morrer disso.Assim se passaram
os anos, o tumor não crescia e o médico achava que ele poderia estar estacionado.
Foi em 2000 quando minha mãe ficou muito doente que
eu descuidei do controle do tumor, deixei de fazer a ressonância
por 1 ano e passei muito nervoso correndo atrás do problema de saúde da minha
mãe, e na mesma época tive uma descompensação hormonal, engordei, tive espinhas
no rosto, mas não tinha cabeça para me cuidar e sim cuidar da minha
mãe. Foi uma época muito difícil, pois tinha acabado um relacionamento de
8 anos com meu noivo, estava no último ano de faculdade, ainda devendo
estágios e trabalhos, por tudo isso nem pensava no neurinoma , somente
me lembrava da frase do médico onde eu morreria com isso mas não morreria
disso.E assim foi mais algum tempo quando somente em agosto de 2002
decidi fazer uma ressonância magnética, mas como moro em Bauru ( 350Km de
São Paulo) decidi procurar um médico neurocirurgião aqui mesmo somente para
fazer o pedido da ressonância magnética e ter a opinião dele, pois eu
já tinha visto esse médico operar em um hospital aqui de Bauru onde
eu fazia estágio e tinha ótimas referencias dele. Feita a ressonância magnética
que tive a surpresa, meu tumor estava com 5 cm ou mais, eu mesma
fui pegar a ressonância no hospital e na curiosidade abri lá mesmo
e olhei ( pelo pouco que entendo pois sou dentista) percebi que o tumor estava
grande, dai me bateu o desespero chorei muito e me sentia culpada por não
ter feito o controle corretamente. No dia seguinte fui ao médico e o que eu
achava era verdade o tumor estava grande e não teria outra solução a não ser
operar, mas esse médico não opera sozinho esse tipo de tumor e nem aqui
em Bauru, somente nos hospitais de São Paulo, por isso ele me deu o nome de
um médico de São Paulo, como eu ia para São Paulo marquei uma consulta
no médico que eu já tinha ido e nesse novo médico a sorte que consegui
no mesmo dia as duas consultas, as 9h00 da manhã tive consulta com o médico
que já me acompanhava, acho que naquele dia ele não estava de bom humor pois
me tratou muito mal , dizia que estava tudo errado e que eu tinha somente
2% de chance de sair viva da cirurgia, não queria me
operar no hospital Sírio Libanes, onde eu queria ser operada e sim em outro
hospital, o desespero tomou conta de mim e dos meus pais, não sentia mais
meus pés e tive vontade de me jogar do 13* andar, chorava muito e estava
me mantendo com calmantes fortes, no período da tarde por volta das 16h00
fui ao novo médico, aquele indicado pelo médico daqui de Bauru, a impressão
mesmo do local já foi outra, estava na sala de espera e conheci uma
paciente dele que havia sido operada á 10 dias atrás , ela estava ainda um
pouco inchada mas muito contente, ela me passou uma boa impressão dele,
e uma segurança, mesmo sem conhece-lo ainda senti que ele era capacitado.
Entrei em sua sala para a consulta, mostrei a ressonância e ele enquanto examinava
a ressonância não dizia nada somente assobiava, e isso foi me deixando mais
aflita, depois de alguns minutos ele começou a falar, muito calmo e
sereno ele me disse que realmente era um caso de cirurgia, que eu poderia
ter um pouco de paralisia facial, mas que a cirurgia seria feita com auxílio
de um monitor de nervo facial, e que aquela porcentagem de sair viva da cirurgia
não existia, se fosse o caso ele nem me operaria, desenhou em um papel
como seria a cirurgia, me examinou e como o médico de Bauru também já tinha
me dito que eu estava em grau 1 para 2 de paralisia facial, e que eu
sairia da cirurgia em grau 3ou 4 mas voltaria em grau 1 ou 2 no período
de um ano. Assim então voltei para Bauru mais aliviada porém com
medo da cirurgia, o valor da cirurgia era muito alto por isso não tinha
marcado nada ainda, chegamos eu Bauru e começamos a correr atrás do dinheiro
para a cirurgia, assim feito marquei minha cirurgia para 17 de setembro de
2002, porém 1 semana antes minha mãe que na época já estava boa, começou a
sentir fortes tonturas, a levei em meu médico daqui de Bauru e foi diagnosticado
uma metástase do problema que ela já tinha enfrentado, no cerebelo, com isso
meu médico daqui de Bauru quem iria me acompanhar na minha cirurgia pediu
para desmarcar a minha cirurgia para poder fazer a cirurgia da minha
mãe , então no dia 17 de setembro ao invés de eu ir para a cirurgia
minha mãe que foi, a cirurgia dela foi um sucesso e ela estava se recuperando.
Minha mãe já em casa marquei a minha cirurgia, dia 31/10/02, tive muito medo
mas estava calma,estava somente com meu pai no hospital.
Internei dia 30 ás 10 horas da noite, a cirurgia começou
as 7h00 da manhã e teve a duração de 13 horas , acordei bem e depois de 9
horas já estava no quarto, fiquei 2 dias sem sair da cama e sai do hospital
depois de 6 dias, tive uma fístula e acúmulo de líquido no local da cirurgia
depois de 10 dias e eu já estava aqui em Bauru, mas tudo resolvido com
antibióticos e repouso, e em relação a paralisia facial tive um pouco
que pode ser entre grau 3 e 4 mesmo mas está sendo corrigida por fisioterapia
local, isso pq durante a curirgia não pode ser usado o monitor de nervo
facial pq ele estava no Paraná e não chegou a tempo. Estou feliz
e aliviada por tudo ter passado, tenho que fazer controle até 5 anos com ressonância
magnética e controle de hormônios pois uma hipótese desse crescimento do tumor é
a relação desse tumor com os hormônios femininos que tive quando
tive aquela descompensacão hormonal. Hoje estou tranqüila e gostaria
de passar a todos que estão enfrentando esse mesmo problema que isso não é
tão ruim assim como se apresenta, são obstáculos que temos
que saber passar e tentar tirar disso uma lição para a vida. Com fé
em DEUS nos superamos todos os obstáculos que aparecem.
Procurem um médico na qual tenha total confiança e siga em frente com fé e
esperança pq isso um dia passa.
Agradeço ao meu amigo Bruno por ter me ajudado nessa
fase (conheci Bruno no hospital ,ele foi me visitar no 4o. dia
pós cirúrgico), aos meus pais, irmãos e aos meus médicos: Dr Adriano Yacubian Fernandes ( Bauru ) e
Qualquer dúvida por favor me escrevam.
Rosa Maria Canhassi
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