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HISTÓRIAS VERÍDICAS

Cristina

Meu nome é Cristina, tenho 38 anos e resido atualmente no interior da Bahia. Há cinco anos atrás quando estava grávida tive o primeiro sintoma, a perda da audição.

Nessa época morava em Salvador e trabalhava em um call center, onde ao atender as ligações percebia que tinha dificuldade em ouvir o que as pessoas diziam. Resolvi procurar um otorrino e como estava grávida não podia realizar exames de alta precisão.

Fiz apenas uma audiometria onde a fonoaudióloga disse que minha queixa era maior do que o resultado que o exame expressava, disse ainda que eu ficasse tranqüila, pois havia uma pequena perda da audição, nada que causasse preocupação. Voltei para casa mais tranqüila, e continuei a levar minha vida.

Coincidentemente, após o parto, percebi que já estava ouvindo normalmente. Entretanto, dois meses após o parto comecei a perceber, novamente, a perda de audição. Preocupada, resolvi procurar outro otorrinolaringologista.

Ela passou alguns exames comuns, tipo raio X e novamente uma audiometria, e mais uma vez não foi constatado maiores alterações. Quando retornei ao seu consultório, ela disse que os resultados não acusavam nada de gravidade e falou-me que deveria ser labirintite. Porém não aceitei aquele resultado, pensava que tinha algum problema maior, percebia que algo estava acontecendo. Penso que isso seja intuição feminina, agente sabe quando algo não vai bem com nosso organismo.

Assim, pedi que prescrevesse uma ressonância magnética e a médica insistia em dizer que eu não tinha nada, e eu insistia em pedir-lhe o referido exame. Até que ela prescreveu e disse que era para minha tranqüilidade, pois sabia que não ia acusar nada.

Fiz esse exame o mais rápido possível e quando entreguei o resultado para a médica, ela com pouca ou nenhuma experiência, quase caiu da cadeira, tomou um susto e nos disse (estava com meu marido), com bastante nervosismo que o resultado do exame estava sugestivo de neurinoma ou schwanoma do acústico. Procurei o chão para pisar e não encontrei, fiquei chocada e piorava a cada movimento insano e inexperiente daquela médica.

Sem saber do que se tratava, pois pela sua reação imaginei que era portadora de alguma doença terminal e que tinha poucas horas de vida.

Depois de toda turbulência causada, ela disse que se tratava de tumor benigno e que era caso exclusivamente cirúrgico. Pediu-me para ficar com meus exames, pois iria conversar com uma junta médica, inclusive professores da Universidade.

Sofrí mais pelo fato de ter caído nas mãos de uma médica que não soube passar a notícia com competência profissional e com sensibilidade humana. Imaginem vocês que ela disse que a partir daquele dia todos os seus pacientes que chegassem com perda de audição, a primeira providência dela seria pedir ressonância magnética.

A partir daí, começei uma verdadeira peregrinação com médicos, e mais uma vez estive diante de muitos profissionais sem experiência no assunto.

Mas com fé em nosso bom Deus, encontrei um profissional sério, competente e grande conhecedor do assunto que foi o neurocirurgião, Dr. Carlos Bastos, que ao ver o exame me tranqüilizou, esclarecendo tudo a respeito do neurinoma, inclusive os riscos da cirurgia e informou que era um tumor benigno, localizado no meato acústico interno esquerdo que se apresentava alargado e com componente extra-canalicular no ângulo ponto-cerebelar, medindo aproximadamente 2,6 x 1,7 x 1,0 cm.

Embora tenha sido uma informação bastante dura, já que se tratava de uma cirurgia de grande porte (craniotomia), pela primeira vez senti confiança e muita tranqüilidade num médico, era como se tivesse encontrado um anjo.

A cirurgia aconteceu no dia 14 de agosto de 2002, no Hospital São Rafael em Salvador/Ba. Foi uma cirurgia longa, bem sucedida e ao término fui direto para UTI. Esses onze dias entre UTI e Semi Intensiva, foram os mais longos de toda a minha vida. Tive uma boa recuperação, porém fiquei com paralisia facial, o que já era esperado devido à localização do tumor.

Fiz bastante fisioterapia e consegui uma melhora bastante significativa, já que recuperei a simetria e grande parte da mímica da face.

Em julho de 2006, após um exame anual de rotina, descobri que o schwanoma havia recidivado. Dessa vez localizado no trajeto da porção mastóidea / vertical do nervo facial esquerdo. Mais uma vez, com muita tranqüilidade e clareza, o Dr. Carlos Bastos me explicou sobre a localização do tumor e os prováveis riscos da cirurgia. Em 19 de dezembro de 2006 fui submetida à nova cirurgia, dessa vez passei apenas 24 horas na UTI e tive alta médica no terceiro dia, tendo uma excelente recuperação.

O nervo facial esquerdo foi seccionado para a retirada total do tumor, promovendo assim paralisia facial definitiva. Mesmo assim continuei com as sessões de fisioterapia para a manutenção da musculatura, já que havia uma possibilidade de recomposição do nervo facial, através de uma técnica cirúrgica chamada anastomose do hipoglosso com o nervo facial.


Passado essa fase, consultei um otorrino cirurgião para saber sobre a técnica da anastomose do hipoglosso com o nervo facial, foi quando soube que era uma técnica que poderia ajudar muito no meu caso, entretanto, havia o risco acentuado de comprometimento da fala e mastigação, fato que me assustou muito, pois são funções que precisamos diariamente, além do mais, iria comprometer algo que estava 100% funcional.

Em minhas orações pedi a Deus que me mostrasse uma solução. Então foi quando entrei em contato com o Bruno Tamassia (www.neurinoma.com.br), pois era sabedora do seu conhecimento sobre o assunto, e perguntei se ele conhecia outra técnica que não fosse anastomose do hipoglosso com o facial, quando ele me respondeu que, a depender do caso, existiam sim técnicas menos agressivas, proporcionada por cirurgião plástico, o que me deixou muito feliz e confiante.

Diante dessa informação fiz uma consulta com um médico cirurgião plástico da cidade onde resido, Dr. Rossandro, um profissional renomado e competente, que ao ouvir minha história, informou que a medicina plástica havia evoluído bastante e que casos idênticos ao meu eram resolvidos através de técnicas de microcirurgia, e ainda que eu não perderia função alguma e teria uma recuperação muito satisfatória em relação à paralisia facial. Ele sugeriu que procurasse o Dr. José Carlos Marques de Faria em São Paulo.

Então, após consultar excelentes profissionais dessa área em São Paulo, fiz a opção pelo competente Dr. José Carlos Marques de Faria, por apresentar uma das mais novas técnicas que é o cross-face, com a reanimação facial por meio de neurorrafia entre ramo massetérico e tronco do nervo facial esquerdo. Técnica que leva cerca de uma a duas horas de cirurgia e no dia seguinte o paciente está em casa sem nenhuma limitação.


A cirurgia ocorreu no dia 21 de julho de 2007 no Hospital Alemão Oswaldo Cruz em São Paulo e foi um sucesso. O Dr. José Carlos já havia informado que esse tipo de cirurgia começa a dar resultado a partir do quarto mês em diante, e com ajuda de fisioterapia a tendência é uma ter boa recuperação funcional, porém sei que não existe possibilidade de voltar a ter 100% de funcionalidade, mas estou muito feliz, levando a minha vida normalmente, sem nenhuma limitação, e recomendo a todos que estejam passando por esse momento que façam opção pela cirurgia e continuem tendo fé em Deus, pois ele colocará os devidos anjos nos seus caminhos, assim como colocou no meu. Enxerguem essas dificuldades como um novo recomeço e uma grande lição de vida.


Agradeço a Deus por ter permitido melhorar enquanto ser humano, ao meu marido que esteve sempre comigo em todos os momentos difíceis, a nossas famílias, principalmente minha mãe e irmã, aos nossos verdadeiros amigos que oravam sempre pela minha recuperação, a Bruno Tamassia e aos competentes médicos, Dr. Carlos Bastos e Dr. José Carlos e Dr. Rossandro que foram personagens fundamentais nessa etapa de minha vida.
Se alguém quiser me contatar, fique à vontade.
Abraços e fé em Deus, sempre.


Cristina.

E-mail: betina_Nunes@hotmail.com

 

 


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Última Atualização: 10 de Setembro de 2007 as 18:00 horas
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