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HISTÓRIAS VERÍDICAS
Carla
Meu nome é Carla tenho 27 anos. Há cinco anos atrás, estava no primeiro ano de fisioterapia, trabalhava período integral, fazia faculdade de noite, e quando tinha provas estudava de madrugada, foi nesta época que tive os primeiros sintomas: zumbidos, tontura e dores de cabeça, então consultei um neurologista, e um otorrino, e estes me disseram que provavelmente era uma crise de labirintite. Por estar com a vida atribulada preferi acreditar que era este o diagnóstico.
Diminuí a carga horária de trabalho para ter mais tempo pra ficar com minha filha e melhorar a qualidade de vida, e continuei com a vida adiante, mas notava que quando ficava muito agitada ou nervosa os zumbidos pioravam.
Em março de 2006 tive uma que na água enquanto surfava e fiquei sem ouvir nada.
Preocupada fui até uma médica otorrinolaringologista indicada que fez uma limpeza e audiometria. No resultado a Dra. Lucia Mara Rizzo notou que eu tinha uma grande perda, porém o gráfico estava confuso, misto de trauma com o de um tumor, aproveitei para contar-lhe sobre os zumbidos e que minha Mãe tinha perdido a audição do mesmo ouvido (esquerdo) devido a uma Síndrome de Ménière.
A Dra. explicou que depois do trauma (dependendo de como foi) da maioria das vezes a audição retornava aos poucos, deu uma vitamina chamada benerva, e pediu-me uma tomografia sem contraste, levei os resultados, que nada constaram, voltei a ouvir melhor e ela pediu para que voltasse antes de julho(mês que estava marcado meu casamento e mudança para Santa Catarina).
Numa falsa confiança de que teria o mesmo problema que minha Mãe e transtornada por causa do término da faculdade, casamento e mudança para outro Estado, fui voltar nela em dezembro de 2006 por causa das festas de fim de ano que passo com a família em Santos, marquei uma nova consulta e audiometria. Ao avaliar o resultado do exame a Dra. constatou que a curva do trauma tinha se normalizado, porém a perda neuronal da audição era de moderada a severa e dava indícios ao neurinoma do acústico, e prescreveu uma ressonância para fechar o diagnóstico.
Retirei o resultado dia 3 de janeiro 2007, 3 dias antes de voltar para casa em Itajaí SC, que concluiu o que a médica imaginava era um tumor médio no ponto cerebelar, daí a casa caiu, pensei nas piores coisas, na minha filha enfim tudo que vocês já imaginam nestas situações. Conversei muito com meu marido e resolvemos que ficaria em Santos com minha filha para procurar médicos especialistas em SP, e ele voltaria para trabalhar. Estávamos muito apreensivos com o desenrolar da historia, pois minha filha de 8 anos também tinha que voltar para a escola, e eu tinha que definir o médico e a operação antes do carnaval.
Consultei alguns médicos dentre eles otorrinos e neurocirurgiões, cada qual com seu ponto de vista, mas a maioria muito otimista. Estava pendente a fazer pela via translabiríntica com Dr. Ricardo Bento devido ao menor tempo de cirurgia e o medo que eu tinha da intervenção cirúrgica de maior porte, apesar de sacrificar a audição, que me restava aproximadamente 50%. Mas por motivos anatômicos, celestiais e familiares, e também por ter conhecido uma paciente do Dr. Eduardo recém operada, cuja cirurgia tinha sido um sucesso, que optei por um neurocirurgião Dr. Eduardo Vellutini e Dr. Aldo Stan com sua equipe que abordaram pela via retro-sigmoidea.
Operei dia 08 de março deste ano, minha cirurgia foi um sucesso! Durou mais ou menos 5 horas, tempo menor que o previsto, foi retirado por inteiro, na biópsia constavam 4 fragmentos o maior de 1.5 cm, e o menor de 0.4 cm, compatível a Schwanoma, a operação realmente superou minhas expectativas, não tive lesão nenhuma de nervo facial, nem no canal lacrimal, fiquei um dia na UTI e 3 no quarto, na tomografia que fiz no hospital não constava nenhuma irregularidade, não estava ouvindo quase nada mas o médico disse que em 30 dias poderia definir se retornaria a audição ou não.
Tive náuseas enquanto estava no hospital que é característica da anestesia geral e do lugar que foi manipulado (area vestibular-labiríntica) , e tive dores de cabeça por 4 semanas.
Hoje fazem dois meses e alguns dias que operei, com um mês já atendia, já fui surfar, danço, ando sem instabilidades, só tenho medo de andar de bicicleta com minha filha na rua, e a audição que ficou um pouco mais comprometida, pois ouço muito pouco os sons graves, e os agudos um pouquinho melhor no ouvido esquerdo (o lado operado). Já fiz uma ressonância e audiometria, que constaram que a cirurgia tinha sido realmente bem sucedida.
Agradeço muito a Deus e a todos que rezaram por mim, estou muito feliz, e passar por isto, pois me fez amadurecer muito. Gostaria de agradecer este site que também me elucidou muito e por ele também que conversei com os outros colegas que passaram pela mesma situação. Também queria recomendar para quem tenha este probleminha e esteja na dúvida, consulte bons profissionais e tente sim retirar o tumor, pois é melhor ter um problema passageiro do que viver com isto, ainda mais porque cresce a as seqüelas podem ser piores. Fé e Coragem.
Que Deus abençoe a todos.
Abraço.
Carla Pereira de Oliveira Sellera
Fiquem à vontade para entrar em contato:
47-32491507
email:carlayaya@terra.com.br
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