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HISTÓRIAS VERÍDICAS
Claudia
Rio de Janeiro, 05 de outubro de 2006
Meu nome é Claudia, tenho 36 anos, moro no Rio de Janeiro e sou professora universitária. Venho contar minha história, assim como as outras pessoas, principalmente objetivando, retribuir a ajuda que esse site me proporcionou. Em junho de 2006, após uma forte dor de cabeça fui parar na emergência do Hospital Pasteur, no Méier.
Essas dores de cabeça eram freqüentes, mas, sempre, as atribuía ao estresse, ao fato de fazer doutorado, ao fato de trabalhar demais. O medico atento me encaminhou para um neurologista, pois indicou a melhor averiguação de suas causas. Como estava de férias, de modo totalmente relaxado, procurei o neurologista na semana seguinte, brinquei que aquelas seriam minhas férias hipocondríacas, pois pago um plano de saúde caro e, quase não utilizava, então, fui a vários médicos naquela semana.
O médico neurologista, bem atento, me indicou uma tomografia computadorizada, a qual fui fazer junto com um passeio no Barrashoppping, com direito a pipoca e cinema com minha irmã e sobrinhos. Na sexta-feira à tarde fui buscar o resultado e ai já imaginam a bomba. Diagnóstico: Suspeita de neurinoma do acústico, cheguei em casa e fui direto para internet, li algumas coisas, achei o site: neurinoma.com.br, mas pensei: “Isso e uma grande m..., mas não vou pensar ate segunda de manhã, quando vou correr para o medico.”
Tentei fazer isso durante aquele período e, compulsivamente, me ocupei, durante aquele fim de semana. Na segunda estava no médico e, quando ele começou a explicar, entrei em total desespero, chorando, eu pedia as conseqüências e as estatísticas, senti o total desespero do médico, quando alegava que não podia me afirmar nada, pois cada caso era um a caso... coisa e tal (os médicos deveriam ser preparados para esse aspecto humano).
Ainda dizia que precisava da minha cabeça, pois sendo professora, esse é o meu instrumento de trabalho. Saí de lá, em prantos e, nas mãos o pedido da ressonância, que realizei no mesmo dia. Na mesma semana, a confirmação do quadro. Lágrimas, muitas lágrimas, todo esse processo é terrível. Comecei a consumir tudo em português, inglês e francês na internet, li demais, não procurem ler tanto, a ignorância tem um aspecto positivo, parei quando vi um artigo em inglês que continha fotos do tumor (aquilo já era autoflagelação!!!!!!!!!).
Esse processo de busca só parou, quando eu encontrei o neurocirurgião, com o qual, decidi operar. No primeiro neurocirurgião, não consegui ouvir nada, só chorava, com o segundo, não me simpatizei, ele é um nome conhecido, mas, achei-o, muito prepotente, pois dizia: “eu sei operar isso, minha equipe é a melhor, eu sou a referencia do seu plano de saúde para esse problema . Se você ligar para o plano irão me indicar”. Bem, ele me aconselhou e, assim o fiz, quando cheguei em casa.
Mas... a referência que o atendente me ofereceu, naquele momento que liguei, era o terceiro neurocirurgião que iria, minha consulta já estava marcada. Todo esse processo durou de 31 de julho de 2006 (quando veio o diagnóstico da tomografia) a 15 de agosto de 2006, quando fui, no terceiro neurocirurgião. Foi um período terrível no qual busquei minha religião (sou kardecista), minha família, meus amigos próximos e o trabalho.
Quando sai do terceiro neurocirurgião, tendo me deparado com a referência do plano... traumatizada com a prepotência do médico anterior, estava tranqüila, era esse!!! Pois era um ser humano normal, muito atencioso, agradável, simpático, que falou do modo claro e tranqüilo sobre meu problema. Na verdade, os médicos eram dois, André Aciolly Guasti e José Antonio Damian Guasti, são filho e pai, que operam juntos aqui no Rio.
Durante todo o processo, optei por não contar nada para os alunos das duas faculdades que leciono, assim que o semestre iniciou contei aos dois coordenadores e pedi que toda essa história não fosse comentada com ninguém, o trabalho foi um porto seguro, ele representou o momento em que tentava esquecer de tudo que estava passando.
Mas, com a proximidade, necessitava organizar coisas e fui, então, contando, aos poucos, somente na semana anterior a cirurgia. Acredito que fiz o correto, pois todos ficaram muito abalados, mas, ao mesmo tempo, o carinho, apoio e forca que recebi e ainda venho recebendo foram extremamente importantes. Os alunos do curso de Psicologia foram extremamente carinhosos comigo, as reações de apoio foram vitais na reta final, quando desespero bateu e quando todo o castelo desmontou, tive uma crise na terça-feira antes da cirurgia, quando fui parar no Hospital. Acredito ter sido o impacto de ter que dar essa notícia.
Bem, muitas lágrimas, preces, orações, rezas, pedidos, promessas depois... estou aqui hoje, 05 de outubro de 2006 escrevendo esse relato, operei na segunda feira dia 25 de setembro. Foram sete horas e meia de cirurgia e hoje, oito dias depois, estou bem. Como aconteceu tudo... Em resumo: dois dias de UTI, mais um dia e meio de quarto, sai do hospital na sexta no início da tarde. O pós-operatório foi tranqüilo, o que aconteceu... quando sai da sala de cirurgia reconheci vários familiares que estavam aguardando (eu não lembro, mas disseram que eu disse o nome de todos).
No dia seguinte, a cabeça doía, um pouco no local e a própria cabeça em si, são muitos remédios no pós-operatório, o que torna essa dor absolutamente suportável, não levantei no dia seguinte,mas, em compensação, no outro dia, levantei, tomei banho, circulei bem pouco, fiquei um pouco sentada, o que foi ótimo!!! Conseqüências: dores no local e um pouco de dor de cabeça, um zumbido chato, muito enjôo, muito!!! Essas conseqüências estão ainda atrapalhando, mas vem diminuindo, menos o zumbido (esse é chato).
Não consigo dimensionar o quanto perdi da audição, mas com certeza perdi, mas o zumbido!!! Estou vivendo tudo isso, escrever esse relato está sendo terapêutico para mim, sou doutora em Psicologia e, desde o diagnóstico, a experiência com esse site tem me esclarecido a força do grupo, nessas horas. Bem, agradeço a todos aqueles que responderam meus e-mails, (assim que descobri, tudo isso, mandei e-mails e as palavras foram sempre de força, de apoio, de carinho).
Estou aqui, me disponibilizando, para também responder a quem quiser saber outras coisas que não coloquei aqui.
Agradeço publicamente aos meus pais e irmãos, a minha família, aos cirurgiões, André Guasti, José Antonio Guasti, aos professores amigos com quem dividi meu problema e que me doaram um pouco de si mesmos, aos meus amigos que me apoiaram e, principalmente, aos meus alunos que tem me oferecido generosamente tanto carinho que seria injusto citar qualquer um deles.
Um grande beijo a todos e, para aqueles que buscarem esse site em busca de informações podem contar comigo, podem me escrever. Mas, antes de tudo, força. O diagnóstico e tudo que envolve ele são difíceis, serão momentos complicados, mas saibam que outras pessoas passaram por eles e estão por aí... vivendo.
PS: Estou indo agora à tarde tirar os pontos, sem tontura, sem dor, sem paralisia, sem enjôo, mas com o zumbido!!!!!!!!!!!!!!!
Atualização em 23-04-2007
Hoje estou enviando o material para o site e decidi escrever que estou bem, trabalhando, vivendo e convivendo com tudo que me aconteceu de forma equilibrada. Em janeiro, constatei que perdi totalmente a audição e decidi colocar aparelho, então, agora estou ouvindo bem melhor.
Claudia
clgsouza@veloxmail.com.br
Resolução mínima de 800x600 - Solução: CHROMAWEB Última Atualização: 24 de Abril de 2007 as 14:00 horas ©2001 Bruno Rebouças Tamassia. Todos direitos reservados. Site pessoal mantido sem recursos de patrocinadores |