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HISTÓRIAS VERÍDICAS

Tânia

Meu nome e Tânia Cristina, tenho 37 anos e no dia 23 de junho de 2006 fui operada de um schwannoma do vestibular do lado esquerdo. Em 2002 sentia um zumbido no ouvido esquerdo e a sensação de ouvido entupido.

Fui a um otorrino e ele me receitou um antibiótico, a sensação passou, porém o zumbido continuou. Em 2003, fiz um concurso para professora, passei, fiz todos os exames de admissão, dentre eles a audiometria.

Tudo normal, então em fevereiro do mesmo ano comecei a trabalhar, estava no sexto semestre do meu curso de Letras, tudo estava perfeito. Em dezembro de 2004 comecei novamente a sentir que meu ouvido estava tampado como se tivesse água dentro e também estava com problemas em meu útero.

Fui novamente ao otorrino que me examinou e disse que o problema do meu ouvido era o nariz, segundo ele o cepto nasal estava desviado, por isso eu sentia pressão no ouvido.

Mas uma vez me receitou antibiótico, tomei e aparentemente melhorei. Em início de maio de 2006, precisei fazer um exame por nome histerioscopia e esse exame precisava de procedimento cirúrgico então fiz todos os exames que a ginecologista pediu e ao fazer o último que é o cardiológico, estava passando em frente a clínica de um otorrino por nome Renato, não sei por que resolvi entrar e ver se tinha como ser atendida como encaixe.

Consegui, doutor Renato Bartolomeu extremamente atencioso me examinou, conversou bastante comigo e pediu que eu fizesse uma audiometria, pois ao me examinar não viu nada de anormal a não ser meu cepto nasal que estava desviado, mas segundo ele isso não era motivo para sentir que estava ouvindo pouco.

Fiz a audiometria na própria clínica e voltei com o resultado para doutor Renato, ele olhou e então disse: “É realmente deu uma pequena perda auditiva e se eu seguisse a prática de outros otorrinos, simplesmente te receitaria um antibiótico e um aparelho para surdez, no entanto quero que você faça este exame, BERA, assim que tiver pronto você o traz.

Fui embora e depois de três dias já estava com o resultado do exame. Ao mesmo tempo em que fui buscar o resultado do risco cirúrgico, também levei o resultado do BERA para doutor Renato.

Depois de olhar ele me explicou o que era aquele exame e disse que realmente eu tinha algum problema, me falou de várias possibilidades e dentre elas a que mais me deixou atordoada, um possível tumor que na maioria dos casos era benigno, pediu que eu não ficasse sofresse por antecipação, pois eram só hipóteses, mas olhando em seus olhos, por mais que não tivesse expressão alguma, senti que ele já tinha certeza de seu diagnóstico.

Ele me pediu que fizesse uma ressonância o mais rápido possível e então no dia 18 de maio, ao levar o resultado para ele, com muito carinho ele me explicou que eu era portadora de um tumor de 3,5 cm e que deveria procurar um neurocirurgião, indicou-me então o doutor Rabello.

Sai da clínica meio atordoada com a notícia e fui direto para a clinica do neurologista que ele me indicou. Doutor Rabello só teria vaga dali a 15 dias, seu consultoria estava cheio, me desesperei, expliquei para a secretária dele que havia acabado de receber a notícia de que era portadora de um grande tumor e que precisava muito daquela consulta.

Parece que Deus enviou um anjo para abrir meus caminhos, desde a entrada por acaso na clínica do doutor Renato até aquele momento, pois apesar de não atender por encaixe, mesmo sem consultar o médico, a secretaria me encaixou e pediu que eu dissesse que era consulta marcada, caso ele perguntasse.

Ao me atender, doutor Rabello se mostrou muito simpático e atencioso, porém achando que de fato era uma consulta marcada, perguntou por que eu estava andando só, se eu não tinha família, creio que ele pensou que eu já sabia do meu problema a mais tempo, porém eu havia acabado de descobrir a alguns minutos atrás.

Ele foi muito claro quanto aos riscos da cirurgia a que seria submetida, falou-me claramente das possíveis seqüelas: perda total da audição do ouvido esquerdo e a paralisia da face que muito me apavorou. Comecei a chorar desesperadamente, pensei nas minhas filhas não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo.

Doutor Rabello então me disse que era estranho eu não sentir dor de cabeça e outros sintomas comuns a esta doença, já que o tumor estava pressionando meu tronco cerebral. Ao final da consulta ele pediu que eu voltasse dalí a uma semana pois ele iria estudar o meu caso junto a sua equipe médica.

Voltei na data marcada e então ele marcou a cirurgia para o dia 09 de junho, me disse que o tumor estava muito grande e deveria tirá-lo o mais rápido possível, mais uma vez me falou das seqüelas que poderiam acontecer, mas Deus estava comigo, que eu tivesse fé, o importante era continuar viva junto de minhas filhas e marido. Eu tenho plano de saúde Bradesco.

Está cirurgia necessitava de material especial importado, o seu alto custo era muito alto e como sempre o plano de saúde tentou barrar a cirurgia alegando que o hospital não era credenciado para aquele tipo de cirurgia. Consegui uma declaração junto ao diretor do hospital dizendo o contrário, fui ao PROCON e consegui a autorização para fazer a cirurgia.

No dia 22 de junho enternei, fiz minhas orações e me entreguei no colo de Jesus, disse a ele que aceitava tudo o que ele estava permitindo que acontecesse comigo, mas se fosse de sua vontade que me preservasse a vida e a normalidade de minha face. Dia 23 ás 8:00 tomei a anestesia, a cirurgia durou 8:00 horas, a minha pressão subiu, mas graças a Deus sobrevivi. Infelizmente o meu nervo facial foi cortado e a tão temida paralisia aconteceu, o médico ficou surpreso meu rosto não entortou tanto no repouso de acordo com o previsto, percebe-se mais quando conveso ou tento sorrir.

O tumor havia envolvido de tal maneira o nervo facial que não foi possível preservá-lo, perdi a audição do ouvido esquerdo e também tive paralisia do globo ocular, o tumor havia envolvido o nervo do olho, mas foi removido sem precisar seccioná-lo. Fiquei internada por 12 dias, sendo 8 na UTI, de 65 quilos fui para 50, fiquei só pele e osso. Entrei em forte depressão, mas o apoio de minha família, principalmente de meu marido e do meu anjo de luz(Elisa), uma amiga maravilhosa muito religiosa e que me ensinou que o único caminho é JESUS, me trouxe de novo a vida.

Em 22 de novembro passei por outra cirurgia, anastomose do hipoglosso com o facial, no hospital das clínicas em São Paulo feita pelo doutor Rubens B. Neto. Segundo ele foi um sucesso. Estou fazendo terapia com fono, fisioterapeuta e ortoptista. A recuperação é lenta. Meu olho já voltou 90%, quanto aos outros possíveis movimentos ainda não aconteceram, mas segundo minha fono as sincinesías, que são movimentos involuntários, também não apareceram sinal que os exercícios faciais estão dando resultado.

Eu sei que voltar 100% nunca mais, mas tenho fé em Deus que minha pálpebra a voltar a fechar naturalmente e o movimento há de voltar o suficiente para que eu possa sorrir sem me sentir tão incomodada. Quando sentires que seu caminho chegou ao fim, inicie sua caminhada nos caminhos traçados por JESUS e verás que não é o fim, mas o recomeço.



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Última Atualização: 28 de Março de 2007 as16:00 horas
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