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HISTÓRIAS VERÍDICAS

CAIXINHA DE SURPRESAS

Me chamo Gláucia e tudo começou logo após meu nascimento. Nessa época, com 9 meses apresentei os primeiros sintomas de pnemonia; fiquei internada por 32 dias, mas consegui sobreviver. Já nasci com estrabismo, quando novinha usava tampão. Quando começei a frequentar a escola eu tinha vergonha, decidi fazer a cirurgia. Com apenas 7 anos fiz uma decisão difícil.

Aos 10 anos começei a mancar da perna direita. Fiz uma bateria de exames que deu como resultado começo de paralisia. Me submeti a cirurgia para transferência de tendão.

Aos 14 anos começei a sentir fortes dores de cabeça, mas os médicos diziam que eu não tinha nada. Aos 16 anos senti uma dor fortíssima seguida de vômitos que durou a madrugada inteira, desde então passei a perder o equilíbrio e a audição, caía sem nenhuma causa aparente.

Imediatamente retornei a Belo Horizonte (nessa época eu morava em Vila Velha no ES), onde começei uma série de exames (ressonânssia, audiometria) dentre outros. Em fevereiro de 1998 veio o diagnóstico, eu era portadora de um tumor benigno raro, no nervo acústico, bilateral (neurofibromatose tipo 2). Em março de 1998 me submeti a primeira cirurgia do maior tumor, no lado esquerdo. Como sequelas, fiquei com paralisa facial e surdez total; passei dias horríveis no hospital, mas eu não queria morrer, de forma que passei a procurar desesperadamente motivos para continuar em frente. Logo desenvolvi uma ótima leitura labial, voltei a estudar e em 1999 começei a trabalhar; enfim levar uma vida normal sem ter vergonha da minha doença. Quando me confrontava com algo desafiador, eu dizia a mim mesma "Consigo sim" e  me esforçava para ser cada vez melhor.

Mais infelizmente ele voltou, e devido a isso fiz radioterapia todos os dias durante um mês e meio, os efeitos colaterais quase me matavam, por esse motivo tive que abandonar o pré-vestibular. A  radioterapia acabou e me submeti a ressonânssia, o resultado: ela inchou o tumor. Nessa mesma época parei de andar e tive que abandonar o emprego.

Fiz a segunda cirurgia em dezembro de 2001 e essa demorou 9 horas, retirei dois tumores: um no tronco-cerebral que nunca mais voltou e um no nervo acústico que voltou, mas hoje está pequeno. Apesar de tudo sabia que podia lutar contra minnha doença.

Mas como nada é perfeito, eu passei mal em Setembro de 2002 e os médicos me internaram na hora. Fiz a terceira cirurgia em 11 de Setembro desse mesmo ano para retirada parcial do tumor do lado direito. Só que o tumor estava muito duro e só foi possível retirar 10%.

Hoje tenho 21 anos e posso dizer que essa doença serviu muito para meu crescimento. Aprendi a aceitar minhas cicatrizes,  pois elas representam minhas marcas da vida. Todos nós somos marcados pela vida, só que algumas cicatrizes são mais visíveis do que outras. Nossas cicatrizes nos mostram o que vivemos.

Tenho uma famíia que abandonou uma vida inteira para ficar ao meu lado. Sou a mais nova de  três  irmãs, as outras duas ( gêmeas ) não apresentam nada.

No momento convivo com o zumbido nos ouvidos e dor na coluna, mas não sinto dor alguma na cabeça. Uma pessoa muito especial falou para eu ter pensamento positivo e é o que eu venho tendo. Vou confessar que não tem sido fácil, mas sempre procuro pensar que a vida é uma caixinha de surpresas.

Deixo aqui minha mensagem para todos: "A vida continua e se entregar é uma bobagem."

Gláucia

glaufv@terra.com.br

 


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Ultima Atualização: 05 de Setembro de 2003 as 10:00 horas
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