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HISTÓRIAS VERÍDICAS
Jefferson
Olá!
Chamo-me Jefferson, tenho 31 anos, moro em Manaus-AM.
Comecei a sentir os primeiros sintomas do neurinoma por volta de março de 2005, mas nem imaginava o que era. Repentinamente percebi que não estava ouvindo direito quando atendia ao telefone; uma vez ou outra, também, ouvia uns zumbidos. Mas nada disso era muito incômodo.
Procurei um otorrino, e no exame físico ele não detectou nada. Solicitou, então, que eu fizesse uma audiometria. Assim procedi e, realmente, foi constatado um pouco de surdez. Porém, como a fonoaudióloga que fez o exame informou que era pequena a perda auditiva e aquilo não me incomodava muito, relaxei, e não voltei ao médico para mostrar o resultado.
Daí, então, passou-se um ano pra eu perceber (e me preocupar!) que havia aumentado o “grau” de surdez.
Como minha mãe precisava fazer um exame na garganta, aproveitei para ir com ela a um médico que uma amiga havia me indicado: Dr. Eduardo Kauffman.
Realizei a consulta em março/2006. O médico solicitou exames de audiometria, impedanciometria etc. Em uma nova consulta levei os resultados, que constataram perda auditiva neurosensorial. Inicialmente, o médico disse que o problema não tinha causa conhecida, que a surdez poderia diminuir, estabilizar ou aumentar, mas eu não precisava me preocupar. Ainda assim, para excluir qualquer dúvida, solicitou-me uma ressonância magnética.
Quando fui levar o resultado no final de março, o médico ficou surpreso com o laudo que leu, suspirou e começou a me explicar sobre o problema: um tumor chamado neurinoma do acústico de 3 cm de diâmetro localizado no ouvido interno, que precisava ser operado, pois, mesmo que sua característica seja de benignidade e cresça, normalmente, muito lentamente, teria que operar. Sugeriu-me que eu fosse a São Paulo, pois em Manaus não conhecia profissional com experiência nessa cirurgia.
No momento da notícia, senti-me forte e não me dei conta da delicada situação. Após a consulta, retornei ao trabalho e comecei a pesquisar sobre o assunto. Encontrei o site www.neurinoma.com.br, onde obtive várias informações. Daí pra frente percebi que o problema era bem maior. Não podia esperar 6 (seis) meses como meu médico sugeriu, pois fiquei muito abalado emocionalmente e não conseguia pensar em outra coisa.
Falei para alguns amigos e alguns colegas de trabalho, mas passei uma semana para falar sobre o assunto com minha família.
Em 17/04, eu mais minha irmã fomos a São Paulo. Fiz consultas a sete médicos. A indicação de cirurgia e a possibilidade de riscos (surdez total e paralisia facial) foram afirmações unânimes pelos profissionais. Porém, o que me fez decidi sobre com qual médico eu iria operar foi o termômetro de confiança, experiência e otimismo (maior, menor ou pessimismo) demonstrado por cada um deles e, ainda, uma conversa com uma moça de Manaus que tinha operado recentemente com o Dr. Laércio.
Assim sendo, alguns dias após a consulta fiz novos contatos com o Dr. Oswaldo Laércio, com quem tinha a pretensão de operar, para esclarecer algumas dúvidas e acertar o valor.
Voltei a Manaus para resolver algumas pendências e consegui marcar a cirurgia para o dia 15 de maio, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Internei no dia 14 à noite e às 6h30min do dia 15 fui para o centro cirúrgico, onde foi realizada a cirurgia pela equipe do Dr. Laércio (otorrino) juntamente com a equipe do Dr. Eduardo Vellutini (neurocirurgião) com duração de 12 horas.
Acordei ainda no centro cirúrgico por volta das 7 da noite e fui levado à UTI, onde permaneci até às 10h30min do dia 16, quando, então, fui levado para o apartamento.
Percebi que um líquido estava escorrendo pelo meu nariz quando eu abaixava a cabeça para fazer as refeições ou escovar os dentes, mas como era pouquíssimo (uma ou duas gotinhas), os médicos esperavam que aquilo cessaria.
No dia 19 recebi alta. Fui para casa com a recomendação de bastante repouso. Recebi atenção dos médicos, que telefonavam pelo menos duas vezes por dia para saber como eu estava e para passarem algumas orientações.
Ás vezes achava que o líquido havia parado, mas outras percebia que tinha aumentado, principalmente à noite, quando sentia escorrer pela garganta.
No dia 25/05, como programado, voltei ao consultório do Dr. Laércio pra retirar os pontos e fazer uma avaliação. Infelizmente, com alguns testes, foi confirmada uma fístula liquórica – o líquido (chamado líquor) que protege o cérebro como um “amortecedor” estava vazando em maior quantidade em decorrência da não cicatrização de algum ponto do tecido cortado durante a cirurgia.
Fui internado novamente nesse mesmo dia para colocação de um dreno lombar, a fim de que tecido cicatrizasse. O máximo de repouso foi recomendado.
Tive alta no dia 31/05 depois de ser observado pelos médicos que havia cessado o vazamento do líquido.
Tínhamos marcado passagem para retornar a Manaus no dia 02 de junho, porém como fazia apenas dois dias que havia recebido alta, eu mais minha mãe decidimos postergar por mais dois dias a viagem e remarcamos para o domingo (dia 04.06).
Mas eu estava muito preocupado com tal situação. Ás vezes tinha a sensação que algum líquido ainda persistia, descendo pela garganta, mas eu não tinha certeza. Preferia pensar que era psicológico, afinal já estava com muita saudade de casa e queria voltar logo.
Entretanto, na noite de sábado (dia 3), constatei efetivamente que algo desagradável estava acontecendo. Não conseguia dormir direito com o incômodo do líquido descendo pela garganta. Naquele momento, vi minha mãe desesperada e eu também fiquei muito preocupado, pois o médico havia dito que depois da drenagem, mesmo ocorrendo raramente, caso a fístula permanecesse, haveria indicação de uma nova cirurgia.
Antes das 6 da manhã do domingo ligamos para um dos médicos informando o ocorrido. Ele nos pediu que eu ficasse em absoluto repouso no domingo e que na segunda-feira (05.06) eu fosse ao hospital para ele avaliar.
Chegando lá, o Dr. Vellutini e o Dr. Luís (da equipe do Dr. Laércio) conversaram conosco e nos deixaram muito mais calmos. Haveria possibilidade de cessar o vazamento do líquor sem ter que reoperar, já que era uma quantidade muito pequena.
Poderia ocorrer a cicatrização somente com o repouso, ou ainda, haveria a possibilidade de aquilo significar a presença de algum resíduo líquido que permaneceu na parte interna do ouvido, que sairia em pouco tempo. Assim sendo, liberaram-nos para embarcar de volta pra casa, com a recomendação de mantê-los constantemente informados sobre tudo.
Assim fizemos. No dia seguinte (06/06) voltamos (eu e minha mãe) pra Manaus. Mantendo o repouso e tomando alguns medicamentos, o líquido deixou de incomodar no dia 13/06.
Logo após a cirurgia houve uma pequeníssima paralisia facial, que após alguns dias sumiu completamente. Ainda ouço um pouco do lado esquerdo, mas ainda não fiz a avaliação.
Preciso ressaltar que foram momentos de muita angústia, mas também de muita fé. O amor que recebi da família, de amigos, de conhecidos, de colegas de trabalho, foi muito grande. Deus se manifestou com muita força nas palavras, nas orações, nos abraços, enfim, na minha vida e, penso que, na vida de tantos que elevaram o pensamento pela minha saúde.
Por isso, não poderia jamais deixar de agradecer, acima de tudo, a DEUS, que me concedeu a graça da paciência, motivou minha fé, e curou-me.
Dedico meu agradecimento especial às pessoas que viajaram comigo: minha mãe, minha irmã e meus amigos Alexandre e Lindalva, assim como aos amigos Mary e Zé (São Paulo) pela dedicação, pelo carinho e apoio que me deram.
A toda minha família, aos amigos, aos colegas de trabalho e às pessoas que se preocuparam, telefonaram, oraram e pediram pela minha recuperação, dedico um abraço bem forte e muitíssimo obrigado.
Caso alguém deseje algum esclarecimento a mais sobre minha história, favor encaminhar e-mail para carlos-maoam@hotmail.com e/ou jeffercarlos@bol.com.br.
Resolução mínima de 800x600 - Solução: CHROMAWEB Última Atualização: 07 de Agosto de 2006 as 22:00 horas ©2001 Bruno Rebouças Tamassia. Todos direitos reservados. Site pessoal mantido sem recursos de patrocinadores |