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HISTÓRIAS VERÍDICAS

Marilene

Meu nome é Marilene, tenho 31 anos e fiz uma cirurgia de neurinoma do acústico em agosto de 1995.

Descobri que tinha este problema em 1995, último ano de faculdade. Na época não sabia muito bem o que era ter um tumor, pois nunca havia ficado doente até esta data. Descobri por acaso o meu problema. Tive um barulho no ouvido, então procurei um médico para saber o que estava acontecendo.

Fiz a audiometria, do qual foi constatado que minha audição do lado esquerdo tinha diminuído. A médica me informou que poderia ter várias causas, mas para saber teria que fazer uma tomografia. Perguntei a ela se poderia ser alguma coisa grave, e ela me informou que a chances de ser um tumor era de 1%. Bem, resolvi fazer a tomografia, depois de três meses, pois não tinha dinheiro para pagar o exame; graças a uma amiga do serviço, consegui fazer o exame pelo Hospital de Clínicas de Marilia.

O pior dia foi o do resultado, fui sozinha., pois acreditava que não era grave. Entrei na sala para consulta, a médica pegou a tomografia, olhou, olhou e saiu. Chamou outros médicos, nunca vi tantas pessoas de branco juntas ao mesmo tempo, eles se entreolhavam e tinham um expressão de preocupados.

Entrei em desespero, começei a chorar e perguntei o que eu tinha, foi quando ela me disse que era um tumor, aí que eu chorava mais ainda. Um dos médicos veio me consolar e pediu para que eu voltasse na próxima semana com um acompanhante, pois eu esta muito nervosa. Voltei ao hospital na semana seguinte, acompanhada pela minha mãe, onde eles me informaram que a cirurgia só poderia ser feita em São Paulo - capital.

Passado umas duas semanas eles me ligaram e informaram que a cirurgia poderia ser feita em Marilia/SP pela equipe do Dr. Nilton Guerreiro (neurocirurgião). Fui conhecer a equipe, o primeiro a ter contato foi com Dr. Osmi, muito simpático, explicou que a cirurgia tinha que ser feita e que eu teria que raspar a cabeça, iria ficar na UTI e poderia ter seqüelas, aí o desespero tomou conta da minha vida, mas depois vi que não tinha outro jeito, o negócio era enfrentar o problema.

Bem, demorou 5 meses entre a descoberta do problema e a cirurgia, pois tinha que esperar vaga pelo SUS. Operei no dia 31/08/1995, a cirurgia demorou 12 horas e fui direto para a UTI.

Quando acordei Dr. Osmi estava do meu lado e me informou que eu estava com paralisia facial do lado esquerdo, mas era reversível, pois tinham preservado o nervo mas audição tinha perdido. O tumor retirado estava enorme, não sei o tamanho em centímetros, só sei que estava do tamanho de uma laranja.

Fiz 5 anos de acompanhamento médico e graças a Deus tudo ocorreu bem e em 2001 tive alta, estava curada, mas o meu rosto ainda continuava com seqüelas, mesmo com fisioterapia ele não voltou ao normal, melhorou uns 80%.

No ano passado em agosto de 2005 consegui conversar com Dr. Fausto Viterbo, cirurgião plástico da Unesp de Botucatu, especialista em correção de paralisia facial.

Informei a ele o meu problema e ele me respondeu que poderia procurá-lo na Faculdade, pois com certeza poderia me ajudar. Foi uns dos dias mais feliz da minha vida, um esperança de melhorar a minha expressão. Então resolvi ir até a faculdade onde fui muito bem atendida pela equipe, que me explicaram como era feita a cirurgia e me pediram um exame chamado eletroneurografia para verificar o percentual de lesão.

Levei o resultado nesta semana 11/04/2006 e foi uma surpresa, pois estava havendo um reinervação, e que provavelmente com a fonoudiologia eu poça recuperar os movimentos sem precisar de fazer uma cirurgia. Fiquei muito contente, pois depois de 10 anos ainda tenho chance de ter um rosto com menos seqüelas e voltar a ter um sorriso não digo perfeito, mas quem sabe quase perfeito.



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Última Atualização: 06 de Dezembrode 2006 as 16:00 horas
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