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HISTÓRIAS VERÍDICAS
Susana Graumann
São Paulo, 28 de Maio de 2005
Meu nome é Susana Graumann, tenho 37 anos e tive o mesmo problema que todos aqui no site, neurinoma do vestibular de 3 cm.
Espero que eu possa ajudar alguém como assim fui ajudada pelos depoimentos neste site que cairam do céu para mim, onde cada depoimento que eu lia me acrescentava alguma coisa para montar o quebra cabeça inteiro. Agradeço também ao Bruno Tamasia ao qual me indicou muito bem o caminho a seguir e a Karina Korn que me passou tudo mastigado e adiantou muito o meu processo de decisão.
Bom, enfim a minha história é parecida com a de todos aqui.
A três anos atrás aproximadamente, notei que minha audição do ouvido esquerdo estava diminuindo através de conversas por telefone. Fui no otorrino recomendado por uma amiga e o displicente me deu o infeliz diagnóstico que era envelhecimento precoce das células do ouvido, não pediu nenhum exame, apenas de audiometria. Perguntei a ele como ele tinha tirado essa conclusão, então ele me disse que foi pelo tipo do resultado do exame de audiometria. Me disse que eu ficaria surda precocemente e para ajudar um pouco eu não deveria ouvir música alta.
Não fiquei satisfeita com o diagnóstico e fiquei “encucada” que eu poderia ter um tumor, mas não dei importância a essa “vozinha” interior achando que era exagero da minha parte. Eu nunca tinha ouvido falar de tumores e eu não tinha nenhuma base científica para “imaginar” uma coisa dessa. Meu irmão tinha a mesma impressão que eu.
Minha audição continuou a piorar gradativamente. Fui em outra otorrina e ela me pediu um exame de ultrassonografia dos ossos temporais(exame errado para diagnosticar um neurinoma). Peguei o resultado no laboratório e o laudo dizia que estava tudo em ordem e acabei não voltando nela para leva-lo, pois o consultório era muito longe de minha casa, desde que confiei no laudo do Delboni . Mais tarde vim a descobrir que tinham alterações neste exame, existia o alargamento do canal, analisado por um profissional competente.
Em junho de 2004, comecei a me sentir muito mau, com a resistência baixa e sem forças, me sentia drenada e comentei com a minha mãe que parecia que eu tinha um invasor dentro de mim me sugando as forças, Um “Alien”. Acho que eu deveria parar de assistir esse tipo de filme!!...
Logo no final de junho tive uma dor de cabeça muito forte a qual foi diagnosticada pelo neurologista como meningite, fiz o teste de retirada do liquor efetivando assim o diagnóstico. Perguntei a causa e ele me disse que deveria ser por vírus, quando eu já tinha comentado que eu estava perdendo a audição do ouvido esquerdo e o questionei se não poderia haver alguma relação. Ele disse que não.
Uma ressalva, este teste de retirada do liquor é extremamente doloroso e os médicos como sempre dizem que só “incomoda”. Essa palavra é a palavra que mais me irrita nos médicos, isso é porque não é neles, portanto aconselho para alguém que necessite desse teste que não deixe fazer a sangue frio, isso é muito desumano. Peçam algum sedativo para dor bem forte ou alguma outra coisa. Se fosse feito em uma criança se teria algum tipo de compaixão e os adultos que agüentem! Ridículo. Me disseram que eu tenho baixa tolerância a dor! Concordo, mas custa dar uma ajudinha?
Enfim, fiquei duas semanas em repouso em casa, fechada num quarto sem poder ver ninguém, nem dar um abraço na minha filha de 8 anos, tomei cortizona até virar uma “bolha”. Após tudo isso melhorei, fiquei sabendo mais tarde por profissionais competentes que deveria ter sido o tumor que tinha causado tudo isso.
Em dezembro comecei a ficar um pouco tonta e fui em outro otorrino que é meu vizinho, um amor de pessoa além de competente, Dr Celso Gomes. Este pediu todos os exames corretos para o diagnóstico, audiometria, Bera e ressonância magnética. Os resultados da ressonância seriam entregues por correio na véspera de uma viagem para Ilha Bela a qual me divertiria muito, portanto não olhei os resultados e viajei, pois sabia que não teria boas notícias. Foi assim que ocorreu, quando voltei de viajem(começo de janeiro), obtive aquela notícia que eu tanto temia... Abri o relatório - “O inimigo não mora ao lado, mora dentro de nós”.
Não preciso dizer que fiquei em pânico!...Nesse momento meu irmão me liga para tratar de outros assuntos e conto a ele a novidade. Pelo o que tenho observado meu irmão sempre aparece em certas horas cruciais; de poucas palavras, mas com um sexto sentido acima da média.
Mas nada me derruba, fui à luta, pesquisei em milhares de sites inclusive americanos. Tenho bíblias e mais bíblias resultantes da minha pesquisa. Passei para toda a família ler.
Procurei por tratamentos alternativos como espiritismo, por exemplo, esperando que um milagre acontecesse, ou pelo menos em busca de entendimento porque aquilo estava acontecendo comigo. Diziam que eu deveria ficar agradecida, pois isso seria uma grande evolução espiritual.
Li nos sites que poderia ser feito uma rádiocirurgia, pois como pude ver os resultados de uma cirurgia seriam: Paralisia da face e perda total da audição além de ser uma cirurgia, algo totalmente horripilante para quem morre de medo de cirurgias.(alguém não tem medo?) Enfim, toda cirurgia tem seu risco.
Nos depoimentos das pessoas que passaram por cirurgia, elas diziam estar muito agradecidas a Deus, mesmo estando surdas e com paralisia facial, não consegui entender porque estavam gratas, as achei muito conformistas. Além do mais tem tanto criminoso saudável, porque esse treco tinha que dar em pessoas boas e honestas?
Fui em vários médicos daqui do Brasil, dois deles indicados por meu otorrino, Dr Oswaldo Laércio e Eduardo Vellutini. Eu já sabia que quem era cirurgião me atenderia com um bisturi na mão, e assim foi. Neurocirurgião e Otorrino= cirurgia, radioterapeuta e neurologista= rádiocirurgia.
Não pude aceitar a idéia de perder a audição e ficar com paralisia da face mesmo que seja temporária.
Fui para Baltimore no hospital Johns Hopkins, para fazer a rádiocirurgia, o qual atende pessoas do mundo inteiro e tem o setor internacional, o qual tem pessoas que falam as mais diversas línguas.
Consultei-me com os dois cabeças da rádiocirurgia, um neurocirurgião e um rádioterapeuta. Fui informada pelo neurocirurgião que meu tumor era meio grande, já no limite e que ele achava meio arriscado, podendo haver recidiva após esse tipo de tratamento, isso eu já sabia, mas não tinha importância, pois se o tumor voltasse a ativa eu faria então a cirurgia convencional, mas esta possibilidade morreu quando fui informada que após uma possível recidiva a cirurgia seria muito mais complicada devido as cicatrizes causadas pela rádio e com certeza teria seqüelas bem graves principalmente ao nervo da face. O rádioterapeuta, como todos os outros brasileiros, logicamente era a favor da rádio.
Enfim, passeei, conheci Baltimore e Washington, amadureci as idéias, me comuniquei com meus excelentes amigos do Brasil os quais me deram irrestrito apoio emocional e idéias ótimas, para o meu processo de decisão para optar qual o tipo de tratamento a se fazer. Tive muito apoio também da minha família e minha mãe eterna companheira para as horas boas e ruins. Meu pai também foi maravilhoso me dando apoio, não medindo esforços para me ajudar.
Primeira decisão tomada: cirurgia convencional. Faltava tomar a decisão do local a realiza-la (Brasil ou EUA). Meu irmão me ligou e comentou da grande habilidade dos cirurgiões Brasileiros e que tínhamos grandes talentos. Concordei. Me comuniquei com os cirurgiões do Brasil e então decidi voltar ao Brasil e fazer a cirurgia convencional, venci as duas primeiras etapas da decisão a ser tomada, qual o tipo do tratamento e aonde.
Faltava ainda decidir com qual médico. Eu estava entre o Dr. Ramina (neurocirurgião) de Curitiba e Dr Vellutini (neurocirurgião) juntamente com o Dr. Oswaldo Laércio (otorrino) de São Paulo .Conversei com os dois neurocirurgiões, pois o dr. Laércio eu já conhecia. Gostei muito dos dois, pessoas muito amáveis e inteligentes, optei pelo dr. Vellutini por ser em são Paulo o local onde resido.
Marcamos para dia 8 de março, peguei uma gripe horrível e tivemos de adiar para dia 17 de março, Eu tinha que resolver o assunto rapidamente, pois eu já havia tomado a decisão e a espera era aterrorizante.
Fiz a cirurgia, voltei da anestesia com o Dr. Vellutini me chamando e dizendo que já havia acabado tudo! Acabado o que? Eu não sabia nem onde eu estava, muito menos o que eu estava fazendo. Enfim consegui me lembrar. Percebi também que o mundo me parecia girando e de cabeça para baixo.
Na UTI, percebi que estava com paralisia da face e fique um pouco revoltada, mas depois de algum tempo consegui raciocinar e sei que eles fizeram o melhor possível, eu também fiz a minha parte escolhendo os melhores na área. Acalmei-me e escutei o conselho do Dr. Vellutini para eu ter muita paciência que as coisas iriam melhorar e a paralisia da face com certeza melhoraria logo, pois ele tinha preservado o meu nervo.Como eu confiei nele, acatei.
PACIÊNCIA , essa palavra mágica me caiu como uma luva.
Realmente tudo melhora, fiquei parecendo uma idiota abobada por alguns dias, mas fui melhorando, respeitando os limites de meu corpo, sem revolta e com apoio dos amigos e familiares.
Com essa experiência toda consegui aprender que o ser humano é muito solidário e que eu estou rodeada de pessoas que gostam de mim e que me apoiaram em um dos momentos mais difíceis de minha vida. Só tenho a agradecer, pois percebi que como não sou boa para ouvir o que Deus tem a dizer, ele me disse através de cada palavra de cada amigo e a cada gesto de amor que presenciei. Consegui a minha cura enfim, não de um jeito milagroso, mas consegui.
Percebi que todos nós fazemos parte de UM! Não adianta ficarmos presos ao nosso ego achando que somos indivíduos especiais e diferentes dos outros, somos todos diferentes e especiais sim, mas com a mesma importância, parte de um quebra cabeça onde todos dependemos uns dos outros para formar uma grande obra de arte.
Enfim obrigada a todos.
No momento ainda estou com paralisia da face, mas não virei nenhum monstro como eu imaginei e perdi totalmente a audição do ouvido esquerdo, o qual é um pouco difícil de conviver, principalmente em ambientes ruidosos, mas estou treinando e melhorando a cada dia. O que me ajuda a aceitar essa situação é o fato de que se eu não fizesse nenhum tipo de tratamento, eu ficaria surda e com problemas na face de qualquer maneira, era só uma questão de tempo, além de até uma provável futura morte.
Enfim hoje eu entendo porque todos são gratos a Deus, pois eu também sou. Tive a sabedoria suficiente para escolher a melhor forma de tratamento, tive dinheiro e não tive nenhuma intercorrência pós cirúrgica. Estou viva, apta a todas as atividades do dia a dia, consigo criar a minha filha e trabalhar. Sinto mais amor no ser-humano e aprendi a ter mais paciência.
10-9-2005
Estou bem melhor, meu equilíbrio está quase perfeito, meu rosto também está ficando ótimo, algumas pessoas nem percebem que tem alguma coisa de errada e tenho uma força interior mais forte do que antes da doença, me sinto um tanque de guerra para realizar meus objetivos e amar.
Estou agradecida aos médicos Dr. Oswaldo Laércio, Dr EduardoVellutini, Dr Celso Gomes, aos meus familiares e amigos. Ainda não consegui perdoar o primeiro médico com o laudo irresponsável.
Estou feliz e praticamente recuperada. Força para todos que tem esse problema, pois vale a pena ter PACIÊNCIA e força de vontade, a vida volta ao normal no seu devido tempo e com um bônus, voltamos mais fortes e sábios.
Quem quiser conversar comigo pode me enviar um e-mail.
susi@firstmile.com.br
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