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HISTÓRIAS VERÍDICAS
E. D.
Meu
nome é E.D. tenho 48 anos e no dia 24/04/01 fui operado do neurioma
do acústico no ouvido direito.Tudo
começou há mais de seis anos, quando apareceu um zumbido muito
leve no meu ouvido direito. Esse zumbido era igual aquele que se sente depois
de sair de uma discoteca para um lugar silencioso e que logo passa. Bem, no
meu caso desde que começou, nunca passou e eu comecei a ficar mais
preocupado.
Visitei
vários médicos otorrino nos primeiros quatro anos e nunca consegui
um diagnóstico. Todos os exames que eu fiz, tipo Bera, labirintite,
diabete, colesterol, etc, nunca revelavam nada e todos os médicos me
diziam que não podiam medicar, pois nunca apareceu nada nos exames.
Durante esses quatro anos somente o exame de audiometria mostrava que a minha
audição estava cada vez mais reduzida, chegando a uma perda
auditiva de cerca de 50% no fim dos quatro primeiros anos.
Um certo dia,
fui levar o meu filho para consultar um problema de garganta em um novo otorrino
que eu tinha escolhido por primeira vez, por que era perto de casa. Aproveitei
a oportunidade e comentei do meu caso e de tudo que eu já tinha feito.
Ele me perguntou se eu já havia feito um exame de ressonância
magnética. Como eu disse que nunca me haviam pedido, ele me pediu esse
exame. Ao trazer o resultado, no dia 16 de julho de 1998, ele me revelou que
eu era portador de um neurinoma do acústico.
Apesar de ter me esclarecido que se tratava de um pequeno tumor benigno, e
de que eu não teria que decidir com urgência, eu teria que procurar
um cirurgião. Bem, nessa hora o meu mundo parecia ter desabado e eu
comecei uma maratona de consultas médicas com neurocirurgiões,
otorrinos, radiocirurgia, etc..
Lamentavelmente, toda minha maratona, inclusive com médicos no exterior,
me deixava cada vez mais confuso pois cada profissional tinha seus argumentos
de que o seu método era o melhor. Até me pareceu um certo comercio,
pois cada um acabava argumentando que o método dele era o melhor. Bem
eu não posso dizer qual era o melhor, mas após quase 22 meses
de pesquisa, mas no meu caso, por total confiança e empatia com o ultimo
médico que consultei, optei pela neurocirurgia com acompanhamento de
um otorrino.
O acesso
foi via retromastoidea,.foi aberto um corte no formato de uma meia lua por
trás de minha orelha direita, na região do couro cabeludo, para
então poder acessar o tumor, que estava alojado no nervo auditivo,
quase pressionando o cérebro, pois havia crescido de 0,9 cm em 1998
para 2,5 cm na época da cirurgia em abril de 2001.
A cirurgia
demorou 10 horas, entre preparativos, a cirurgia em si e a finalização
mas eu não senti nada, pois estava com anestesia geral. Eu estava me
recuperando muito bem, mas após três dias da cirurgia, recuperação
foi interrompida por um imprevisto que se chama fistula, cujo sintoma foi,
no meu caso, de um vazamento de liquor pelo nariz. Por esse imprevisto, que
as vezes acontece, tive que ficar mais tempo no hospital (12 dias) pois foi
necessário drenar esse liquor com um cateter colocado na espinha por
5 dias para eliminar essa fistula. Finalmente fui para casa onde permaneci
por 30 dias em recuperação e hoje estou perfeitamente bem.
A minha
seqüela foi a perda da audição do ouvido direito, devido
ao tamanho e a localização do tumor e também uma paralisia
facial, que já esta praticamente corrigida, devido a fisioterapia que
faço diariamente com muita disciplina, alem do acompanhamento semanal
e agora quinzenal de uma excelente fisioterapeuta.
Quero aqui
deixar claro que no meu caso fui muito feliz. Após três meses
da cirurgia eu já começava uma vida praticamente normal, que
certamente voltará ao normal em no maximo 6 a 8 meses da cirurgia.
A opção
de operar no exterior me pareceu inviável por vários aspectos:
É bem difícil que algum convenio de saúde cubra cirurgias
no exterior, salvo que sejam emergências durante uma viagem.
O preço de uma cirurgia como essa no exterior é de três
a quatro vezes mais cara que no Brasil, sendo que aqui temos excelentes profissionais
e ótimos hospitais.
Os inconvenientes do idioma ,do custo da passagem aérea são
inevitáveis.
A hospedagem dos acompanhantes por um longo período, uma vez
que após a cirurgia o operado precisa ficar em observação
por uns 15 dias para prevenir eventuais imprevistos à distancia.
A recuperação antes da volta ao Brasil é necessária.
Viagens internacionais vindas da Europa ou Estados Unidos podem demorar de
8 a 13 horas , sem contar o tempo de espera no aeroporto e eventuais imprevistos.
Espero com meu depoimento, poder ajudar na tomada de decisão de quem
esteja passando o que eu passei. Tenha fé e procure sentir confiança
no seu medico. A empatia com o médico é um grande passo para
uma cirurgia bem sucedida.
E.D.
Notas do Autor
do Site:
Conheci o E.D em um hospital em São Paulo, enquanto eu saia de meu
exame de ressonância magnética para acompanhamento pós
cirúrgico de meu Neurinoma do Acústico, o E.D estava entrando.
Nos minutos em que conversamos E.D, eu e minha mãe, minha mãe
explicou o meu problema ao E.D.
Depois de aproximadamente um mês, o E.D nos ligou (ele pegou nosso telefone
no hospital) para nos contar que estava com o mesmo problema e que precisava
de ajuda.
COINCIDÊNCIA OU DESTINO ?
Gostaria de agradecer o E.D pois foi o primeiro a escrever e enviar sua história
para publicarmos no site e também pela participação no
desenvolvimento do mesmo.
E.D desejo a você SUCESSO na vida, e que esta experiência tenha
te tornado uma pessoa melhor em todos os sentidos do que você era antes.
Um grande abraço do amigo,
Bruno R.Tamassia
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