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HISTÓRIAS VERÍDICAS

Andréa Thiago

Olá, sou Andréa, contadora, casada, mãe de Luiza, e moro em Belo Horizonte- MG.

Tudo começou aproximadamente em junho de 2002, com um zumbido no ouvido direito, que no início estava esporádico e ficou persistente em um período de 04 meses.
Procurei meu otorrinolaringologista em outubro/2002, relatando sobre o zumbido, ele pediu-me exames de audiometria, vestibular, etc. para avaliar minha audição. Levei uns 15 dias para concluir os exames e retornar ao otorrino. Os resultados não foram satisfatórios, e pediu-me para fazer um exame de ressonância magnética, pois seria o mais completo, e traria um diagnóstico preciso.
Fiz a ressonância após 03 dias e o neurologista ligou-me pedindo para voltar a clínica pois precisava fazer tomografia computadorizada para certificar o diagnóstico. Começei a ficar apreensiva. Após a tomografia ele conversou comigo, e disse que seria preciso um procedimento cirúrgico. O diagnóstico foi “Lesão tumoral medindo 3,0 x 3,7 x 2,2 cm na cisterna do ângulo ponto-cerebelar direito. A possibilidade de meningeoma do ângulo ponto-cerebelar deve ser considerada inicialmente, no diagnóstico diferencial com neurinoma do VIII º par. Esta lesão exerce compressão e desvio contralateral da ponte, pendúculo e hemisfério cerebelar adjacentes, com colapso parcial do IV ventrículo”
Voltei ao otorrino que olhou os exames, trocou idéias com outro especialista, explicou alguns pontos e indicou-me um neurocirurgião.
Voltei ao meu trabalho, e só então contando a um amigo é que percebi que tinha um tumor na cabeça e começei a chorar. Meu amigo ajudou-me a localizar e marcar a consulta com o neurocirurgião para o dia seguinte. A noite contei para meu marido, que a partir deste dia esteve sempre ao meu lado, o que foi muito importante para a minha recuperação.
Na consulta ao neurocirurgião o diagnóstico foi de Neurinoma do acústico , a cirurgia deveria ser urgente, pois o perigoso era a compressão do cérebro, o que causa risco de vida. Marcamos a cirurgia para dentro de 09 dias pois queria antes assistir a apresentação de balet de minha filha de 02 anos. O neurocirurgião esclareceu alguns detalhes sobre o neurinoma, a paralisia, a audição, a cirurgia, porém acontecem detalhes que não dá para nem imaginar como seria.

Nestes 09 dias, relatei aos familiares e amigos, que me apoiaram; eu e meu marido organizamos nossa vida particular e profissional, para pelo menos nos próximos 02 meses.

No dia 06/11/2002 internei e apesar do meu plano de saúde dar cobertura total, não havia vaga no CTI do hospital e realizei a 1ª cirurgia no dia 08/11/2002. Durou 12 horas a cirurgia, e logo após fui para o CTI onde permaneci até a tarde do dia seguinte. Fiquei no hospital por 08 dias, com pequena paralisia facial, enjôo, desequilíbrio.
Retornei para casa bem debilitada - até minha filhinha ajudava a cuidar de mim - sentia dores por todo o corpo, enjôos, não dormia, não conseguia ler ou mesmo assistir televisão quando exigia raciocínio ou concentração, pois minha cabeça doía muito. Nestes dias, apesar de toda a cautela de minha família, percebi que teria que fazer uma 2ª cirurgia, pois o tumor além de grande estava denso, o que não permitiu a retirada total.

No dia 26/11/2002 estava novamente sendo internada para a 2ª cirurgia, que durou 07 horas, mais 06 dias de hospital e com seqüelas: paralisia facial total do lado direito; perda de 100% da audição do ouvido direito, falta de equilíbrio; o pescoço estava com a sensação de torcicolo -não virava; a perna esquerda não dobrava devido ao tempo da cirurgia em que fiquei deitada do lado esquerdo, enjôos.

Logo após a alta do hospital procurei uma fisioterapeuta, e iniciei o tratamento. Ela foi um anjo, pois além da fisioterapia me dava apoio psicológico, incentivava e torcia com cada pequena melhora que apresentava. É uma profissional que ama o que faz, muito experiente e me dizia sempre para não ter pressa, e fazer as coisas com tranqüilidade.

No mês de março/2003 retornei ao trabalho - confesso que ainda estava um pouco sem condições, mas precisava provar a mim mesma que poderia trabalhar novamente. Conseguí adaptar o horário da fisioterapia com o trabalho, pois não dá para sair no meio do expediente para ir a fisioterapia durante tanto tempo.

Faço até hoje fisioterapia para a paralisia facial, já recuperei 70% dos movimentos do olho e da boca;o sorriso ainda está torto; quando falo algumas palavras a boca vai para o lado esquerdo; a testa não apresentou grandes melhoras. Tratei em algumas clínicas que são cobertas pelo plano de saúde, aqui em Belo Horizonte, porém não há especialidade em paralisia facial, o tratamento é mais genérico.

Em dezembro/2003 assisti palestra de uma fonoaudióloga de São Paulo especialista em paralisia facial, que deu-me muita esperança, pois disse que em sua experiência viu que o nervo continua crescendo até 27 meses após o trauma. Como meu nervo foi preservado, ainda tenho chances de melhorar a paralisia facial com mais 01 ano de fisioterapia e fonoaudiologia.

Faço controle com o neurooftalmologista que eu já conhecia, pois o olho direito está ressecado, sem lágrima, devido a paralisia facial, vou alternando com gel, colírio, tampões, consultas , e ainda não fui liberada para usar a lente de contato.
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O meu equilíbrio está praticamente normal, fiz fisioterapia de marcha e equilíbrio. Eventualmente sinto como se o chão estivesse andando também.

As consultas com o neurocirurgião inicialmente foram mensais e atualmente estão de 06 em 06 meses. Após um ano fiz a ressonância magnética e não há sinal de tumor.

Sobre o fato do neurinoma não ser hereditário, coincidência ou não, tenho um prima de 1º grau, com a minha idade que no ano de 1997 fez a mesma cirurgia de neurinoma, e não ficou com a menor paralisia facial. Seria a técnica utilizada pela neurocirurgião dela???

A certeza que tenho é que em momento nenhum desistí de ter esperança, lembro que no hospital nas visitas do médico respondia que a cada dia estava melhor que no dia anterior, e tinha confiança que Deus estaria comigo, pois sempre ouvi de minha tia que ele não nos dá uma carga maior do que podemos suportar.

Estou á disposição de quem queira contatar-me, o meu e-mail é comercial, caso eu não responda favor pedir ao Bruno meu endereço residencial ou telefone. Espero que minha experiência possa ajudar alguém, assim como recebi ajuda de outras pessoas. Meu agradecimento especial ao BRUNO, que sem conhecê-lo, sei que é um indivíduo iluminado.


UM GRANDE ABRAÇO

Andréa Thiago – Janeiro/2004
athiago@santabarbarasa.com.br


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Ultima Atualização: 09 de Fevereiro de 2004 as11:00 horas
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