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HISTÓRIAS VERÍDICAS
Meu nome é Elizeu Farias de Oliveira. Sou solteiro, nasci em 12/01/1965 na cidade do Rio de Janeiro, onde tenho vivido toda a minha vida, junto com minha família. Somos três irmãos e duas irmãs, meu pai, minha mãe, uma sobrinha e dois sobrinhos, além de uma cunhada e de um cunhado.
Sou Engenheiro e trabalho como consultor em Gerência de Projetos tendo atuado em projetos de diversas naturezas e tamanhos, tanto para a iniciativa privada quanto para órgãos públicos. Sou evangélico e sempre fui muito ativo nas atividades da igreja, trabalhando com música coral tanto na igreja quanto em grupos comunitários, que é algo de realmente gosto muito. E foi devido à música que descobri ser portador de um Neurinoma do Acústico. Sim, pois um dos primeiros sinais que percebi foi exatamente à perda gradual da audição do ouvido direito, o que me levou a procurar um otorrino para fazer alguns exames e quem sabe uma limpeza, pois inicialmente pensei tratar-se de acúmulo de cera nos ouvidos.
Procurei um otorrino indicado por um amigo, em uma clínica na Barra da Tijuca. Lá o médico me examinou e não encontrou nada que pudesse causar a perda auditiva que eu informava. Ele passou um antiinflamatório e mandou que eu retornasse em um mês para nova avaliação. Tomei o medicamento e devido ao trabalho, acabei por descuidar do tratamento e não retornei ao médico.
Em 28 de Maio de 2003 eu resolvi procurar de novo um otorrino, pois comecei a perceber um zumbido que principalmente à noite me incomodava muito, além de estar mais claro para mim que eu estava escutando menos com o ouvido direito, algo facilmente percebido quando atendia ao telefone.
Procurei a clínica Oto Grupo, na Venerável Ordem Terceira. Lá, no mesmo dia, fiz uma audiometria que confirmou uma perda auditiva de 30% no ouvido direito. A médica que me atendeu, Drª Clarisse Monteiro Vianna, solicitou então uma Ressonância Magnética para que pudesse descobrir a causa da perda e do zumbido, levantando pela primeira vez a hipótese de ser uma pequena formação tumoral que acomete 2% dos casos de pacientes que apresentam aqueles sintomas. Aproveitando a consulta com a otorrino, solicitei que ela pedisse todos os exames laboratoriais possíveis, pois há muito tempo não fazia nenhum exame laboratorial.
Consegui marcar a Ressonância Magnética para o dia seguinte – 29 de Maio de 2003, e já na sexta-feira, 30 de Maio de 2003, fiz a coleta do material para os exames de análises clínicas. O resultado dos exames ficaria pronto no dia 09 de Junho de 2003 e o próximo dia de consulta com a Drª Clarisse era o dia 11 de junho de 2003. Marquei a consulta e no dia 11 de junho eu estava lá, já com os resultados dos exames laboratoriais e também da Ressonância Magnética, que eu já havia lido antes de entregar à médica. A Ressonância confirmava a suspeita inicial da Drª Clarisse de que eu tinha um Neurinoma do Acústico (Schwannoma do Acústico Direito), de aproximadamente 4 cm de diâmetro, que estava comprimindo o cerebelo e o tronco cerebral, comprometendo o nervo auditivo, o nervo facial e o nervo vestibular (responsável pelo equilíbrio). Ela informou que devido à localização do tumor, seria necessário que eu fizesse uma avaliação com um Neurocirurgião, pois o tumor estava muito interiorizado. Se ele estivesse um pouco mais para fora, um otorrino mesmo poderia operar, que seria o único tratamento para este tipo de caso (o que confirmou a minha pesquisa feita na Internet quando tomei conhecimento do resultado da Ressonância Magnética).
Confirmada a existência do tumor, a Drª Clarisse me indicou um neurocirurgião do conhecimento dela – Dr. Aníbal – que atendia no Hospital de Clínicas Dr. Balbino, em Olaria, no qual ela depositava muita confiança. No mesmo dia marquei uma consulta com este Neurocirurgião para o dia 23 de Junho de 2003, pois a agenda dele estava completamente lotada. Enquanto isso, conversei com alguns amigos no trabalho sobre a minha situação e uma amiga me orientou a procurar outro médico antes do dia 23 para ter uma segunda opinião quanto à necessidade da cirurgia a aos procedimentos a serem tomados. Consegui marcar com um cirurgião de cabeça e pescoço indicado por ela, para à tarde do dia 11 de Junho. Lá este cirurgião me orientou a fazer o quanto antes a cirurgia, pois o tumor estava muito grande e poderia começar a causar-me problemas maiores. Neste mesmo dia ele me pediu para fazer os exames pré-operatórios (RX do Tórax e Risco Cirúrgico), pois já iria marcar a cirurgia. Consegui fazer o RX no mesmo dia e diante da urgência que ele mostrou, tentei antecipar a consulta com o Neurocirurgião, conseguindo que ele me atendesse no dia seguinte – 12 de Junho, pela manhã.
O Dr. Aníbal me atendeu por volta das 11 horas do dia 12 de Junho e confirmou tudo o que já havia sido dito antes – o tratamento era cirúrgico e o risco de perda total da audição, problemas com o equilíbrio e ainda uma paralisia facial era muito grande. Ele solicitou que eu procurasse naquele mesmo dia à tarde, o Dr. Benjamim, que era um dos melhores Neurocirurgiões do Rio de Janeiro, e que estaria naquele dia atendendo ali mesmo a partir das 14 horas.
Enquanto aguardava a hora de ser atendido pelo Dr. Benjamim, fui até o Centro da Cidade para pegar o resultado do Rx. de Tórax que havia feito no dia anterior. De posse do Rx. do Tórax e do resultado dos exames laboratoriais, como já estava no hospital mesmo, consegui marcar uma consulta com o Cardiologista para fazer o Risco Cirúrgico.
Quando fui atendido pelo Dr. Benjamim, já estava com todos os exames na mão – Ressonância Magnética, Exames Laboratoriais, ECG, Rx. do Tórax e Risco Cirúrgico. Foi só ele confirmar o diagnóstico e agendar a cirurgia para o dia 23 de Junho de 2003. Antes, porém, ele me pediu para procurar um terceiro Neurocirurgião, que seria o responsável pela cirurgia, o Dr. José Antônio Guasti, que depois vim descobrir ser um dos melhores Neurocirurgiões do Brasil.
Seguro de que estava na direção certa, procurei o Dr. Guasti na terça-feira 17 de Junho de 2003 e ele confirmou a cirurgia para o dia 23, uma segunda-feira.
Somente então, conversei com a minha família, pois precisava ter certeza de que estaria tudo bem antes de preocupá-los. Enquanto cuidava dos preparativos para a minha cirurgia, encaminhei meus pais ao Cardiologista, pois queria ter certeza de que eles teriam condições de suportar a tormenta que estava por ser revelada a eles. Com a garantia de uma supervisão médica adequada para eles, tendo a data da cirurgia sido confirmada, conversei com eles quanto a necessidade de fazer esta cirurgia para a retirada de um cisto do ouvido. Não falei nem a palavra Tumor para não causar mais impacto. Eles ficaram muito preocupados, mas como era de se esperar, receberam muito bem a notícia, colocando-se do meu lado para o que eu viesse a precisar. Conversei também com meus irmãos e coloquei-os a par de toda a situação, pedindo que eles fossem muito pacientes pois um período de grande nervosismo estava por vir, com a cirurgia que eu iria fazer.
Assim, depois de ter conversado com minha família, pude revelar a todos os meus amigos a situação pela qual estava passando. Enviei um e-mail no dia 29 de Junho de 2003 informando da cirurgia, local, data e hora. Todos ficaram muito preocupados e desde aquele momento formou-se uma enorme corrente de fé e apoio, que atravessou o país inteiro, chegando até mesmo ao conhecimento de amigos meus que estava na Europa e EUA. Isso foi muito positivo, pois em momentos como esse, e só que passa por isso pode avalia, é muito importante essa manifestação de carinho, preocupação e atenção por parte de todos que estão por perto.
A cirurgia que inicialmente estava marcada para o dia 23 de Junho de 2003 somente pôde ocorrer no dia 30 de Junho de 2003 devido a problemas burocráticos com o Plano de Saúde, que não queria liberar a autorização para a realização da cirurgia alegando tratar-se de uma Doença Pré-Existente. Mas esta é outra discussão. Consegui uma liminar na Justiça e em tempo Record consegui agendar a cirurgia para o dia 30.
Internei-me no dia 30 pela manhã e à tarde fui operado. Tranqüilidade marcou todo este período. Estava seguro da cobertura de orações que estava recebendo e isso me dava muita paz para atravessar aquele mar bravio, com uma serenidade sem igual. A cirurgia durou 8 horas. O tumor estava muito maior do que o revelado na Ressonância. A estimativa dos médicos era de 4 horas de cirurgia para um tumor do tamanho de uma bola de golfe. No entanto o tumor estava do tamanho de uma bola de tênis. O que mais surpreendeu aos médicos era o fato de eu não estar apresentando tonteiras, nem dores de cabeça.
A cirurgia foi um absoluto sucesso. Não fiquei com seqüela alguma – nem facial, nem auditiva, nem problema de equilíbrio, nada. Impressionante! Quem me via não acreditava que havia passado por uma barra tão pesada.
Fiquei 12 horas no CTI e após este período fui para o quarto, com recomendação de não levantar da cama. Estava com sonda urinária e no soro direto. Fiquei nesta situação por 2 dias, quando foi autorizada uma dieta pastosa. Estes dias iniciais no hospital foram um tormento, pois eu não podia levantar, a programação da TV era uma porcaria, não podia ler, enfim, só fazia dormir. Os dias passavam a conta-gotas. As noites eram intermináveis. No terceiro dia, quando os médicos autorizaram a retirada da sonda, pude levantar e só de poder andar pelo quarto já era um alivio.
Nestes dias inicias também tive uma reação muito forte à anestesia. Não conseguis comer nada. Qualquer coisa que eu comesse ou bebesse não ficava nem 10 minutos no estômago. Até que eu me desintoxicasse completamente de toda a anestesia que tomei, foram pelo menos 10 dias de sofrimento.
Recuperado da anestesia, comecei a ter tonteiras fortíssimas. Isso durou mais umas 2 semanas quando que as tonteiras foram diminuindo até acabarem por completo.
Minha recuperação foi algo milagroso. Em menos tempo do que imaginava já estava podendo dirigir, caminhar, retomar aos poucos as minhas atividades normais.
Depois de passada a tormenta é que podemos analisar as coisas com maior clareza. Eu realmente vivia dando trombadas, esbarrando nas coisas, caído pelas paredes, mas como sempre fui meio estabanado e apressado, não creditava essas coisas a um eventual problema de saúde. No entanto, estes já eram sinais de que alguma coisa não estava muito bem.
Fica também uma crítica aos médicos da primeira clínica que procurei, quando pensei estar com problema de cera nos ouvidos. Se eles tivessem despertado para a possibilidade que a Drª Clarisse levantou logo na nossa primeira consulta, eu já teria feito esta cirurgia há muito tempo.
Graças a Deus descobri tudo antes de sofrer maiores conseqüências, pois o Tumor estava comprometendo o Tronco Cerebral e isso poderia vir a causar uma paralisia de todo um lado do meu corpo.
Enfim, hoje sou uma nova pessoa. Realmente a vida passa a ter um significado diferente quando você vê o quanto somos fracos e dependentes dos cuidados divinos para continuar vivendo.
Dou graças a Deus por ter me conduzindo os passos na direção certa, colocando as pessoas certas no meu caminho, abrindo as portas, eliminando as barreiras, resolvendo todas as questões, e principalmente, conduzindo os médicos durante a cirurgia, para que nenhum dano fosse causado a qualquer dor nervos comprometidos pelo Tumor.
Agradeço à minha família que se colocou do meu lado em todo o tempo que estive na total dependência deles.
Agradeço aos meus amigos, que com o conforto de suas orações e de suas manifestações de amizade sincera permitiram que eu passasse por todo o período da recuperação pós-operatória, certo de estar sendo assistido, cuidado, o que tornou aqueles dias muito mais fáceis de serem vividos.
Agradeço aos médicos que me atenderem, me acolheram, revelaram-se ótimos profissionais, verdadeiros instrumentos nas mãos de Deus, para realizar este verdadeiro milagre.
Agradeço a Drª Clarisse que foi a primeira a levantar a possibilidade, por mais remota que fosse, de ser um tumor o que estava causando todo aquele transtorno.
Hoje estou plenamente recuperado. Já de volta ás minhas atividades profissionais, encaro a vida de forma diferente. Tenho dado mais valor a pequenos detalhes que no corre-corre do dia-a-dia passam despercebidos por nós. Estou mais preocupado em ser alguém que faça a diferença onde quer que esteja. Ainda não estou certo de como vou fazer, mas estou certo de que alguma coisa eu vou fazer para tornar o mundo um lugar melhor para todos viverem.
Que Deus abençoe a todos que lerem esta mensagem. Se você estiver passando por uma situação semelhante a esta, lembre-se antes de tudo que você tem um Deus a quem pode recorrer, mesmo que não tenha dado muita atenção a Ele até agora. Ele está por perto, pedindo a você que confie Nele, lançando sobre Ele todo a sua ansiedade, pois Ele tem cuidado de nós.
E-mail para contato : efoliveira@pop.com.br,
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